Imprensa internacional repercurte crise da água no Rio

Na foto, José Airton Amorim Terceiro, morador de São Cristóvão e duas amostras de água, coletadas no intervalo de uma semana

RIO — A crise no abastecimento da água no Rio de Janeiro — que já atinge 69 bairros da capital e outros seis municípios da Baixada Fluminense — foi destaque em veículos internacionais de imprensa. O jornal inglês "The Guardian" aponta que o problema no fornecimento ocorre a poucos dias da realização do Carnaval e durante um verão que já atingiu recordes de temperatura.

A publicação também ressaltou que apesar das declarações da Cedae, atestando que a água pode ser bebida, moradores do Rio reclamam que já adoeceram após o consumo.

"A companhia pública de água da cidade disse que o gosto estranho foi causado por um composto orgânico chamado geosmina, encontrado naturalmente no solo, e insistiu que a água é segura para beber. Mas os moradores se queixaram de adoecer depois de bebê-la e os ambientalistas culparam a crise nos rios poluídos, a falta de saneamento básico e décadas de má gestão".

A reportagem recorda ainda que a expensão da rede de saneamento básico no estado foi um promessa de legado olímpico que não saiu do papel.

"Em julho passado, promotores do Rio assinaram um acordo com o Cedae para finalizar as obras de saneamento olímpico que foram congeladas quando o estado declarou uma 'emergência financeira' semanas antes do início dos jogos. Alguns projetos foram concluídos, mas grandes obras deverão levar mais quatro anos", lembra a publicação.