Imprensa internacional repercute interrupção de testes da CoronaVac pela Anvisa após suicídio de voluntário

Louise Queiroga
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A imprensa internacional repercute nesta terça-feira, dia 10, o anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em interromper os testes para vacina contra o novo coronavírus, chamada CoronaVac, da chinesa Sinovac. Antes mesmo da confirmação com a Polícia Civil de São Paulo de que a morte de um voluntário do estudo foi causada por suicídio, o jornal norte-americano "The New York Times" fez uma provocação logo no título da reportagem: "Brasil interrompe teste de vacina chinesa. Mas a culpa foi da ciência ou da política?".

Já o portal britânico "Daily Mail" trouxe na manchete a informação sobre a causa da morte do voluntário. Como de costume, colocou alguns tópicos principais a respeito do assunto logo abaixo, onde se lê:

"Um voluntário suicidou-se durante o teste da vacina Coronavac no Brasil. O laboratório disse que o 'incidente adverso sério' não estava relacionado à vacina. A vacina contra Covid-19 está sendo desenvolvida pela Sinovac Biotech da China. Ela (decisão) vem depois que a Pfizer anunciou que sua vacina mostrou 90 por cento de eficácia".

O britânico "The Guardian", por sua vez, foi mais direto, trazendo na manchete: "Jair Bolsonaro afirma 'vitória' após suspensão do teste da vacina chinesa". E, no subtítulo, afirma: "Críticos afirmam que a suspensão dos testes da vacina da Covid CoronaVac tem motivação política".

"Essa rivalidade colocou a CoronaVac no centro de uma crescente briga política com Doria, que muitos acreditam que desafiará Bolsonaro à presidência em 2022, que prometeu implementar um esquema de vacinação obrigatória em seu estado enquanto o presidente se opôs a tal movimento", explica o jornal a seus leitores em trecho da matéria, que cita a causa da morte do voluntário como suicídio.

Assim como o "The Guardian", o jornal francês "Le Figaro" colocou em destaque na notícia a reação do presidente da República brasileiro.

"O presidente brasileiro Jair Bolsonaro chamou a suspensão de uma 'vitória' pessoal", diz no subtítulo.

Outras publicações, feitas mais cedo, reportaram os fatos até o momento em que a Sinovac se manifestou sobre a suspensão do estudo no Brasil, como foi o caso do jornal frances "Le Parisien".

"O laboratório chinês Sinovac Biotech disse na terça-feira que estava confiante na segurança de sua vacina experimental contra a Covid-19, apesar da suspensão de um ensaio clínico no Brasil após um 'incidente grave'. 'Estamos confiantes na segurança da vacina', disse Sinovac em um comunicado, dizendo que o incidente em questão 'não está relacionado' à vacina", afirma em seu post geral sobre a pandemia.

O francês "Libération" noticiou o ocorrido de forma parecida, e o tempo real do jornal italiano "Corriere" seguiu pela mesma linha, ao trazer o posicionamento do laboratório de que não havia relação entre a morte do voluntário e o teste do qual ele participou, assim como publicou o conterrâneo "La Stampa".

Já a agência de notícias italiana "Ansa" destacou a "indignação" do Instituto Butantan, responsável pela realização do estudo no Brasil, diante da decisão da Anvisa.

A reportagem da "Ansa" começa informando que "o diretor do Instituto Butantan de São Paulo, Dimas Covas, disse hoje estar 'indignado' com a interrupção dos ensaios de vacinas chinesas decidida ontem à noite pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a morte de um voluntário".

"Em entrevista coletiva, Covas desejou que a Anvisa se comportasse de forma 'técnica e independente' em sua escolha. Covas reiterou então que o 'acidente grave' que aconteceu ao voluntário 'não tem relação com a vacina' e que 'não foi uma reação (ao medicamento)', garantindo aos demais voluntários que 'não terão reações adversas'", acrescenta.

O site do jornal português "Observador" também reforçou, logo no subtítulo, a reação do Butantan.

"O Instituto Butantan, que irá produzir a vacina, ficou surpreendido com a decisão da agência sanitária brasileira e garante que a morte de um voluntário nada teve a ver com a Coronavac", afirma.

Ademais, o portal "South Morning China Post" destacou no título que a morte do voluntário não foi relacionada ao ensaio da vacina e, nos tópicos colocados abaixo, chama atenção para a fala do responsável pelo estudo. Outros jornais que noticiaram de maneira semelhante foram os sites sul-coreanos "Hankyung" e "Donga Science".