Impulsionada pela disparada de quase 25% do Banco Inter, Bolsa sobe e se aproxima de recorde

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Computador com indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Computador com indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ibovespa fechou em alta de 1,17%, a 124.031,62 pontos, nesta segunda-feira (24), aproximando-se da máxima histórica de fechamento de 125.076,63 pontos, em 8 de janeiro.

O índice foi favorecido pelo viés positivo em Wall Street e pela disparada de 24,83% do Banco Inter na sessão, após acordo com a Stone que prevê investimentos de até R$ 2,5 bilhões da processadora de cartões no banco digital. Em Nova York, Stone teve leve alta de 0,16%.

O Inter também informou ainda que está perto de concluir estudos para reorganização societária para migrar sua base acionária para a Inter Platform, cujas ações pretende listar na Nasdaq.

No exterior, os preços do minério de ferro despencaram, mas as cotações do petróleo avançavam, em meio a potenciais entraves a uma retomada do acordo nuclear de 2015 com o Irã.

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras subiram 1,70% e as ordinárias (com direito a voto), 1,02%. Nesta segunda, a companhia anunciou investimentos de US$ 300 milhões até 2025 para refinarias que não estão no seu plano de desinvestimentos.

Já a Magazine Luiza valorizou-se 7,93%, após relatório do BTG Pactual reiterar recomendação de compra para as ações, elevando o preço-alvo de R$ 23 para R$ 26. Os analistas disseram que embora o curto prazo pareça menos otimista dada a desaceleração no canal online, "o legado de consumidores migrando para o digital e os recentes investimentos para aumentar o engajamento em sua plataforma devem levar para uma expansão mais forte do GMV [valor total de vendas] e melhoria da lucratividade nos próximos anos".

A Locaweb, por sua vez, subiu 7,54%, acompanhando o desempenho mais forte de ações de tecnologia, reduzindo as perdas acumuladas em maio até o momento. No mesmo contexto, Totvs fechou em alta de 5,41%.

BRF fechou em baixa de 2,67% após subir quase 29% na semana passada, com a Marfrig confirmando no final da sexta (21) a compra de cerca de 24% do capital da dona das marcas Sadia e Perdigão. Marfrig caiu 0,33%.

Segundo a agência de notícias Reuters, a Marfrig tentou adquirir o controle da rival Minerva antes de anunciar o operação com as ações da BRF. Minerva subiu 1,76%.

Em Nova York, O S&P 500 subiu 0,99%. O Dow Jones teve alta de 0,54% e o Nasdaq, de 1,41%.

O dólar caiu 0,54%, a R$ 5,3250, acompanhando a fraqueza da divisa norte-americana no exterior, enquanto operadores de todo o mundo trabalhavam em modo de espera aos dados de inflação dos Estados Unidos, em busca de pistas sobre o destino da política monetária do país.

A moeda, vista como um porto seguro, tem recuado de forma constante nos últimos dois meses em relação às principais moedas, à medida que o otimismo cresce em relação às perspectivas econômicas globais. No entanto, temores sobre um superaquecimento da maior economia do mundo e o risco de uma inflação sustentada poderiam levar o banco central dos EUA a apertar sua política monetária mais cedo do que o esperado.

A depreciação do dólar no mercado internacional "pode mudar a qualquer momento se houver o descolamento para cima das taxas de juros dos títulos norte-americanos, alavancados pela inflação interna, que levaria a moeda norte-americana a apreciação", explicou em nota Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora.

Enquanto isso, no cenário doméstico, os investidores continuavam de olho no clima político, que, segundo Nehme, pode piorar a percepção do risco-país.

"O viés político acentuado já em clima eleitoral (...) desfoca de forma relevante os fatores mais importantes demandados pelo país, e este ambiente de acirramento deve ser crescente", disse ele. "As expectativas de que sejam alcançadas no tamanho adequado as reformas administrativa e tributária vão se tornando menores e devem impactar como fatores internos, fora a crise fiscal, na formação do preço [do dólar no Brasil]".

Em entrevista para a Folha nesta segunda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo irá "para o ataque" com a aproximação da eleição presidencial.