Impulsionados pela pandemia, treinos on-line são a principal tendência fitness para 2021

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Treinos on-line são a principal tendência fitness para este ano, segundo o ranking mundial do Colégio Americano de Medicina do Esporte. A modalidade, que sofria bastante resistência dos marombeiros, ocupou em 2019, nesta mesma lista, a 26ª posição. A mudança de perspectiva é atribuída à pandemia, que fechou por um tempo as academias e obrigou quem queria manter a saúde e o corpo em dia a experimentar produtos digitais deste universo.

A rede de academias Bodytech percebe, atualmente, um aumento de 107% de usuários ativos em seu aplicativo BT Fit.

— O Brasil engatinhava no tema. Havia muita resistência do público, que não acreditava na eficiência de malhar em casa, e principalmente no Rio, que queria se encontrar na academia. Então, quando a pandemia veio, como a Bodytech tinha há seis anos o seu aplicativo, que era de graça para os alunos, saímos na frente e resolvemos liberar o acesso para o público em geral — explica o diretor técnico da rede, Eduardo Netto: — Mas no BT Fit, só tinha aula gravada. Então, em junho, lançamos o BT Home, com aulas ao vivo dadas por professores que são celebridades na rede, em uma grade dos sonhos. Foi uma ferramenta pra manter o aluno pagando academia, e o professor, atuando. O digital foi que nos manteve de pé.

As academias no Rio já reabriram. Quando isso ocorreu, diz Netto, a audiência das aulas online caiu apenas 30%, o que aponta que a tendência veio para ficar. A Bodytech vê como uma alternativa para quem malha não interromper a prática de exercícios, num dia em que não consiga se deslocar até uma unidade física. Já Ricardo Lapa, fundador do Lapa Team, academia exclusivamente on-line brasileira, aposta nas aulas à distância como primeira escolha dos brasileiros. Seu negócio saltou de oito mil para 50 mil alunos durante a pandemia, mas ele espera chegar a cem mil clientes até o fim de 2021. Por isso, não para de investir em melhorias, principalmente para as aulas ao vivo, que começaram em novembro e viraram queridinhas do público.

Ele comprou recentemente um telão de LED de 6m de largura e 3m de altura, por R$ 300 mil, que transmite para os professores os alunos fazendo os movimentos de suas casas. E em breve, abrirá turma de madrugada, no horário de Brasília, para atender quem está em outros fusos horários pelo mundo.

— A gente está atingindo a galera que não gostava de treinar, não tinha tempo, não tinha com quem deixar o filho e agora pode fazer com ele ao lado. E conseguiu humanizar o treino digital, o que era considerado o grande desafio. Se você assiste a uma aula minha, percebe que eu sei o nome dos alunos, o que fazem da vida, e deixo todo mundo à vontade. Comigo não tem isso de fora do padrão... Às vezes chega alguém com vergonha, mas em pouco tempo percebe isso, coloca o topzinho, muda a cabeça, liga a câmera e vive a vida.

Ricardo Lapa começou a prestar consultoria on-line há dez anos e chegou a ter 40 alunos pelo WhatsApp, antes de lançar seu produto, inicialmente apenas com aulas gravadas, há quatro anos. Por isso, garante que a digitalização não é possível só para os grandes negócios. Ele recomenda, para começar, propôr aos alunos trocar um treino presencial na semana pelo digital, e abrir a possibilidade de chamar um amigo.

— O professor de Educação Física que não aderir à aula on-line será aquele profissional que vai passar sufoco. Com celular ou uma câmera, a gente faz estrago — incentiva o empresário.

Foi com seu aparelho de telefone móvel que o profissional de Educação Física Arthur Picoli gravou exercícios para fortalecimento de abdômen e lombar, e testou os resultados com cerca de 500 alunos pelo WhatsApp, no ano passado. Após perceber o sucesso, resolveu deixar o conteúdo formatado no Desafio Strong ABS, para ser vendido durante sua passagem pelo “Big Brother Brasil 21”:

— É um protocolo de 30 treinos, com uma entrega diária para o cliente, nos quais eu mostro o movimento e aparece um briefing para a pessoa não ter dúvidas do que fazer. O diferencial é o modelo de treinamento parecido com o do crossfit, com aquecimento, alongamento, a parte técnica e o treino final. Isso tudo dentro de, no máximo, 12 a 15 minutos — conta Arthur: — E serve para todo mundo: para a tiazinha, para o crossfiteiro e para o jogador de futebol. É para emagrecer? Não. É por saúde e qualidade de vida.

A jovem Isabella Bastos foi uma das que compraram a proposta. Como o acesso ao produto fica liberado por um ano, ela já está em sua terceira repetição do desafio e conta as mudanças que sentiu no corpo:

— Voltei a incluir exercícios físicos na rotina. Toda manhã eu cumpro o desafio e não falhei nenhum dia desde o início. Tem me feito bem mental e fisicamente. Pela primeira vez em anos, consegui postar uma foto mostrando a barriga no Instagram. Perdi medidas na cintura, consigo ver meu abdômen mais definido e sentir o abdômen e a lombar muito mais fortes — conta a atriz, de 22 anos.

Como evitar lesões nas aulas

A quem resolver tomar o caminho do empreendedorismo fitness digital, um dos principais pontos de atenção deve ser garantir a integridade física dos alunos. O diretor da Bodytech Eduardo Netto, recomenda tomar cuidado com as repetições de exercícios.

— Como a maioria das atividades nas aulas on-line não usam acessórios que sobrecarregam os alunos, alguns professores tendem a adotar repetições muito grandes de exercícios, o que pode acarretar em prejuízos físicos e lesões.

Já aos interessados em malhar, Netto recomenda antes obter liberação médica. Além disso, em meio a tantos conteúdos disponíveis e até gratuitos em plataformas de vídeos, ele ressalta que é importante verificar sempre se as aulas são ministradas por profissionais de Educação Física.

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