Imunizar 60% nas Américas requer mais 540 milhões de doses, aponta Opas

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(Agosto) Mulher é vacinada na Cidade da Guatemala (AFP/Johan ORDONEZ)

Imunizar 60% da população das Américas contra a Covid-19 requer 540 milhões de doses adicionais, afirmou nesta quarta-feira a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), pedindo aos países que doem as vacinas que estiverem sobrando.

“Precisamos aplicar 540 milhões de doses adicionais para garantir que todos os países das Américas possam cobrir pelo menos 60% de sua população”, disse em entrevista coletiva a diretora da Opas, Carissa Etienne. “Pedimos aos países de todo o mundo com doses excedentes que as compartilhem rapidamente com a nossa região, onde as mesmas terão um impacto que salvará vidas", assinalou.

Estados Unidos, Espanha, Suécia e Canadá já fizeram doações "extremamente úteis", mas são necessárias mais vacinas, afirmou a diretora, Ela destacou que mais de 60% das pessoas no Canadá, Chile e Uruguai, e mais de 50% nos Estados Unidos, já completaram o esquema de vacinação contra o novo coronavírus, mas lamentou que a alta cobertura seja a exceção.

“Mais de um terço dos países da nossa região ainda têm que vacinar 20% de sua população, e em alguns lugares a cobertura é muito menor”, destacou. a diretora. Apenas uma a cada quatro pessoas está totalmente vacinada contra a Covid na América Latina e no Caribe.

As taxas de vacinação permanecem abaixo de 20% em muitos países da região, e na América Central são de apenas um dígito em Guatemala, Honduras e Nicarágua. “Isso sem mencionar o Haiti e a Venezuela, onde os frágeis sistemas de saúde e os desafios políticos atrasaram ainda mais a imunização”, observou Carissa.

- 'Afetada de forma desproporcional' -

A diretora da Opas alertou que a região das Américas continua sendo "desproporcionalmente afetada" pela covid-19 em relação ao restante do mundo. “Temos quatro dos 10 países com maior número de casos acumulados, e quase um terço de todas as mortes por covid-19 foram relatadas na região.”

Segundo Jarbas Barbosa, vice-diretor da Opas, fatores socioeconômicos prejudicaram a eficácia de muitas medidas de saúde pública, especialmente na América Latina e no Caribe. Ele mencionou a ausência de redes de seguridade social, a superlotação em muitas cidades e uma atitude negligente de autoridades quanto ao uso da máscara.

A falta de acesso a vacinas também impediu a redução da transmissão comunitária do vírus. “A mortalidade não pode ser reduzida até que uma maior cobertura de imunização seja alcançada”, enfatizou Barbosa.

Já Carissa Etienne assinalou que a Opas busca não apenas garantir mais doses de vacinas para a América Latina e o Caribe nos próximos meses, mas também "aumentar significativamente" a capacidade regional de fabricação de vacinas.

A diretora destacou a importância de uma logística adequada para distribuição das vacinas, o que inclui superar "um dos maiores obstáculos" às imunizações: conseguir seringas. “A Opas garantiu 80 milhões de seringas este ano e estamos trabalhando com os países para monitorar a demanda e garantir que eles tenham seringas suficientes para aplicar as vacinas contra a Covid."

ad/lda/lb

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