Imunodeficiência é tema de campanha no Parque Ibirapuera

Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil

A imunodeficiência, uma doença nova na medicina, de causa genética, pouco conhecida pelas pessoas e até mesmo pelos médicos, foi o tema da campanha de esclarecimento realizada hoje (29), na semana mundial de combate à doença, no Parque Ibirapuera, na capital paulista.

A alergista e imunologista do Hospital São Paulo, Helena Fleck Velasco, disse que a imunodeficiência é composta por mais de 300 enfermidades que provocam alterações no sistema imunológico. “Os pacientes apresentam infecções de repetição, como pulmonares, pneumonias, de pele e alguns sintomas de autoimunidade”.

A falta de informação é o grande obstáculo enfrentado pelos pacientes que sofrem da imunodeficiência. Shilene Ferreira Dourado, de 40 anos, sofreu com 30 pneumonias desde a infância. E somente aos 27 anos de idade, após permanecer em coma por três meses, ela foi diagnosticada com a dpença.

Nascida na Chapada Diamantina, na Bahia, ela resolveu se mudar para São Paulo em busca de melhor tratamento médico.  “Comecei o tratamento e melhorei em 90% a minha qualidade de vida. A gente tem um grupo de apoio, em que cada um fala da sua experiência”, disse.

Sinais de alerta

Outros pacientes, não têm a mesma sorte de Shilene. Como o filho de Suelia Souza, que nasceu com imunodeficiência primária, com sensibilidade a microbactérias e teve várias pneumonias. Antes de receber um transplante de medula, o menino morreu aos 3 anos de idade. “Vai fazer um ano que ele se foi. Agora, eu trabalho como voluntária ajudando os imunodeficientes. Entrego folhetos, falo do trabalho, faço artesanato, tento alegrar os dias deles. É muito difícil”, falou.

A imunodeficiência é uma falha no sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo contra vírus, bactérias e fungos. Os 10 sinais de alerta que devem ser observados pelos médicos nas crianças são: 1) duas ou mais pneumonias no último ano; 2) oito ou mais otites no ano; 3) estomatites de repetição ou sapinho por mais de dois meses; 4) abscessos de repetição ou ectima; 5) infecção sistêmica grave como meningite, osteoartrite e sepcticemia; 6) infecções intestinais de repetição ou diarreia crônica; 7) asma grave, doenças do colágeno ou doença autoimune; 8) efeito adverso à vacina BCG ou infecção por microbactéria; 9) fenótipo clínico sugestivo e 10) histórico familiar.