Inação sobre clima pode levar 100 milhões de pessoas para pobreza, diz Banco Mundial

A comunidade internacional deseja estabelecer como meta que a temperatura do planeta aumente no máximo 2 graus até 2050

O planeta terá 100 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza até 2030 se nada for feito para limitar o impacto do aquecimento global, de acordo com um relatório do Banco Mundial publicado neste domingo.

"Sem (...) o desenvolvimento rápido e inteligente para o clima, o aquecimento global pode levar mais de 100 milhões de pessoas para a pobreza em 2030", disse o documento publicado três semanas antes da Conferência de Paris para o Clima, COP21.

A advertência do Banco Mundial aumenta a pressão sobre os líderes mundiais que se reunirão em Paris a partir de 30 de novembro para a COP21, com o objetivo de concluir um acordo internacional que limite os gases que produzem o efeito estufa.

Também ocorre poucos dias após um relatório da ONU afirmando que os compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa são, por si só, insuficientes para conseguir limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius.

O Banco Mundial observa que o impacto seria particularmente forte na África, onde a mudança climática poder levar a um aumento dos preços dos alimentos até 12% em 2030.

Seria "um golpe para uma região onde o consumo alimentar das famílias mais pobres representa mais de 60% de seus gastos", afirmou a instituição.

Um efeito similar ocorreria no Sul da Ásia. Na Índia, a crise agrícola e a rápida propagação de doenças resultantes de perturbações climáticas podem levar 45 milhões de pessoas para abaixo do limiar de pobreza extrema (ou seja, com uma renda de menos de 1,90 dólar por dia).