'Inacreditável': Bolsonaro fala pela 1ª vez sobre ataques por apoiadores no DF

Ao comentar a respeito de sua gestão, Bolsonaro disse: "Tem alguns furos? Tem, lógico"

Ex-presidente Jair Bolsonaro falou pela primeira vez sobre os atos golpistas praticados por seus apoiadores no dia 8 de janeiro, dias antes de ser internado em um hospital nos EUA. (Foto: Reprodução/Twitter)
Ex-presidente Jair Bolsonaro falou pela primeira vez sobre os atos golpistas praticados por seus apoiadores no dia 8 de janeiro, dias antes de ser internado em um hospital nos EUA. (Foto: Reprodução/Twitter)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou com correligionários na Flórida, onde está desde o fim do ano passado, e procurou se desvincular dos ataques às sedes dos três Poderes cometidos por seus apoiadores no último dia 8, em Brasília.

"Lamento o que aconteceu dia 8, uma coisa inacreditável. Mas no meu governo, o pessoal aprendeu o que é política, conheceu os poderes, começou a dar valor à liberdade. Eu falava para alguns sobre a liberdade, e eles diziam que era igual ao sol, nasce todo dia, mas não é bem assim não. A gente acredita no Brasil."

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Ao comentar a respeito de sua gestão, encerrada no último dia 31, Bolsonaro disse: "Tem alguns furos? Tem, lógico. A gente comete alguns deslizes em casa, que dirá no governo".

A fala do vídeo, tentando se distanciar dos ataques golpistas, contrasta com postagem feita na semana passada em rede social do ex-presidente e com discursos propagados por seus apoiadores.

Na sexta-feira (13), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acatou pedido da Procuradoria-Geral da República, e incluiu Bolsonaro em investigação sobre os atos antidemocráticos.

O Ministério Público entende que o ex-presidente é suspeito de incitação ao crime após ter postado vídeo questionando as eleições dias depois dos ataques. Três horas depois, ele apagou a publicação. Moraes determinou que a Meta, dona da rede social, preserve o vídeo publicado e apagado por Bolsonaro no Facebook para aferir o alcance da postagem e sua autoria.

O ministro também apontou que Bolsonaro reiteradamente incorre em condutas investigadas em outros inquéritos, como o das milícias digitais antidemocráticas.

No despacho, o ministro fez referência ao acordo de Munique, feito como apaziguamento entre as principais potências europeias antes da Segunda Guerra Mundial. Como Hitler continuou suas invasões apesar do tratado, os demais países romperam o acordo e entraram em conflito.

"A democracia brasileira não irá mais suportar a ignóbil política de apaziguamento, cujo fracasso foi amplamente demonstrado na tentativa de acordo do então primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain com Adolf Hitler."

Ainda na sexta, Moraes abriu inquérito para apurar a conduta de Anderson Torres, ex-ministro de Bolsonaro e ex-secretário de Segurança do DF, e do governador afastado Ibaneis Rocha (MDB) durante os ataques.

Integrantes do MPF (Ministério Público Federal) veem o caso como grave e dizem que a revelação da minuta encontrada na casa de Torres complica a situação jurídica de Bolsonaro e deve ser incluída nos inquéritos em tramitação no STF.

Torres estava de férias em Orlando (EUA). Ele foi preso pela Polícia Federal ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Brasília, no sábado (14). A prisão havia sido decretada por Moraes na terça (10). O ex-ministro saiu do avião escoltado por agentes antes dos demais viajantes.

Como se organizaram os atos terroristas em Brasília? A linha do tempo interativa abaixo te mostra, clique e explore:

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Obras de arte foram destruídas, itens roubados e o prejuízo ainda é calculado pelas autoridades. Veja a lista completa de obras destruídas nos ataques. Cerca de 1.500 envolvidos no episódio foram presas.

da Folhapress