Inauguração do Cristo Redentor ajudou o Rio a ganhar reconhecimento internacional

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A década de 1930 trouxe, junto com o Cristo Redentor, muitas mudanças ao Rio de Janeiro, que vivia um intenso processo de metropolização. A aceleração do aumento de sua população e o distanciamento da influência francesa do período da Belle Époque foram as principais características da década na cidade. O então Distrito Federal viveu transformações na área política, social e cultural e foi ganhando relevância internacional.

A Revolução de 30 colocou o Rio de Janeiro como o centro de uma ebulição política. Com o fim da Primeira República, o governo Getúlio Vargas queria criar uma identidade nacional, a fim de aumentar a unidade do país e enfraquecer as oligarquias locais. Nesse intento, o interventor percebeu que a capital poderia ser como que um microcosmo de toda a "brasilidade". Porém, segundo o professor e escritor Luiz Antônio Simas, a carioquice não dá conta da pluralidade brasileira, mas propaga uma visão de país ao exterior:

—Se a gente pensa um Brasil como um todo, como um país amazônico, nordestino ou sulista, essa realidade é múltipla. O que me parece é que há uma tentativa de moldar um certo imaginário sobre o Brasil a partir da cidade do Rio de Janeiro. Isso vai estar muito presente, por exemplo, o Samba que vai nascer no Rio de Janeiro e vai se identificar como um ritmo de identidade nacional.

Já no quesito cultural, a rádio vai se popularizando e se tornando o principal veículo de comunicação de massa do Brasil, que tinha, na época, uma população, em sua maioria, analfabeta. Em 1931, por meio desse veículo, surge Carmem Miranda, jovem cantora de 22 anos que encantava a todos pelo seu jeito único; é lançado, também, o samba “Com que roupa eu vou?”, de Noel Rosa, que é cantado mesmo depois do carnaval — que, no ano seguinte, vai sofrer uma revolução com o aparecimento dos desfiles das escolas de samba. Essa novidade na maior festa popular do mundo vai dar protagonismo ao suburbano que se consolida como consequência do aumento demográfico do município, como afirma o professor Simas.

—Na década de 1920, já tem muitas intervenções urbanas na cidade. A principal delas é a derrubada do Morro do Castelo. Também há uma consolidação da expansão para os subúrbios. O país, que era rural e exportador de produto primário, vai se transformando em um país que a Era Vargas quer transformar em urbano e industrial — explica ele.

Na política local, o Rio também passa por mudanças. Sob o governo do médico Pedro Ernesto, interventor nomeado por Getúlio Vargas, a cidade passa por uma administração inovadora, principalmente na área de saúde e educação. Na arquitetura o estilo eclético cede lugar ao art decó e ao modernismo, que tem seu marco inicial com a construção do edifício Gustavo Capanema, sede do Ministério da Educação e Saúde.

Na questão religiosa, há novamente um estreitamento da Igreja com Estado, mas não como no Império com o Padroado. Após o rompimento brusco com os republicanos positivistas, os católicos tem no cardeal Leme uma liderança capaz de reivindicar pautas caras ao cristianismo aos políticos. A relação do governo Vargas com a Igreja era utilitarista, pois o interventor desejava o apoio da hierarquia que colaborou com a deposição de Washington Luís e dos fieis que formavam a imensa maioria da população brasileira.

— Havia um sentimento religioso na população, mas havia também dos interesse públicos de manter uma relação mais próxima da Igreja. Para aquele estado getulista que tentava se consolidar, aquela aproximação com a Igreja era interessante. Tem uma questão que é pragmática aí — afirma Simas.

Pelos acontecimentos de 1931, a Igreja recupera uma certa centralidade no cenário social brasileiro, pois, além da inauguração do Cristo, Nossa Senhora Aparecida é proclamada padroeira do Brasil por meio de um decreto papal.

Com tudo isso, o Rio de Janeiro foi se tornando um circuito de viagens para os turistas estrangeiros e a cidade passou a ser rota de aviões comerciais e de dirigíveis. Na edição de 3 de setembro de 1931, O GLOBO noticiava: “De Friedrischshafen ao Rio em cinco dias!”. O Graf Zeppelin, junto com o Syndicato Condor, foi recordista em rapidez na viagem entre a Alemanha e o Brasil — de dirigível até Recife, e de avião de Recife ao Rio.

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