Incêndio na Amazônia aponta perigo da desregulamentação em meio à mudança climática

Alexander C. Kaufman
Os incêndios desta semana produziram cenas apocalípticas.

Jair Bolsonaro assumiu a Presidência prometendo abrir a Floresta Amazônica para os negócios, reduzir as proteções ao meio ambiente e às populações indígenas e encher o governo de ideólogos que consideram a mudança climática um boato marxista.

Mas os incêndios florestais recordes que atingem a Amazônia são um lembrete doloroso do que está em jogo. As políticas de Bolsonaro permitem que fazendeiros, madeireiros e mineiros destruam a maior floresta e o maior repositório de dióxido de carbono do planeta em ritmo acelerado.

Os incêndios desta semana produziram cenas apocalípticas. A fumaça viajou mais de 2.000 quilômetros e chegou ao Sudeste do país, escurecendo o céu sobre São Paulo, maior cidade do hemisfério ocidental.

É apenas um forte indicador do que as pesquisas apontam como um ano de crescimento exponencial em queimadas na Amazônia. Imagens de satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram um aumento de 84% em relação ao mesmo período do ano passado.

O desastre tem paralelos sinistros com as tempestades e incêndios históricos que abalaram os Estados Unidos em 2017, quando o então recém-eleito Donald Trump começou seu ataque às regulamentações ambientais e anunciou o plano de retirar o país dos acordos de Paris.

Incêndios são comuns na época de seca na Amazônia, mas este não tem sido um ano especialmente seco nem com muitos ventos, afirmam os especialistas – ou seja, o fogo provavelmente foi iniciado por fazendeiros em muitos casos. E muitos defensores do meio ambiente apontam para a rápida destruição da floresta como um dos motivos pelos quais os incêndios têm se espalhado tanto.

“Não é vingança da natureza; é algo muito, muito humano”, diz Nurit Bensusan, do Instituto Socioambiental, ONG de Brasília que defende a conservação do ambiente e os direitos dos indígenas. “É um sinal de que vem coisa pior por aí.”

Foto de drone divulgada pelo Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, na terça, mostra caminhão combatendo as chamas.

O Inpe registrou um aumento de 88% no desmatamento em junho, em...

Continue a ler no HuffPost