Incêndio no Ninho: Flamengo mantém apenas sete dos 16 sobreviventes

Diogo Dantas
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A maioria dos 16 jovens que se feriram no incêndio no Ninho do Urubu (há exatos dois anos matou dez garotos da base) completou 16 anos em 2020 — idade em que é permitida a assinatura do primeiro contrato profissional. O clube, no entanto, só mantém em suas categorias inferiores sete sobreviventes. Dentre eles, cinco firmaram novo vínculo: o goleiro Francisco Dyogo, de 17 anos; o zagueiro Jhonata Ventura, de 16; e o atacante Cauan Emanuel — os três que se feriram com maior gravidade no acidente —, além do atacante Samuel Barbosa e o zagueiro Kayke Soares.

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O volante Rayan Lucas, de 15 anos, aguarda o aniversário para renovar. Já o atacante Filipe Chrysman, de 18, não renovou e tem futuro incerto.

A lista de sobreviventes que não permanece no clube aumentou. No começo de 2020, o Flamengo dispensou seis atletas. Agora, mais um teve o contrato encerrado e não renovou: Jean Sales. Ele deixou o clube em dezembro e assinou com o Alverca, de Portugal, na semana passada.

“Quero agradecer a todos os envolvidos, pais e empresários por todo suporte até aqui. Que Deus me abençoe nesta temporada. Feliz e motivado na nova missão. Grato a tudo que Deus está me proporcionando”, postou o jogador em suas redes sociais.

Dos dispensados, o atacante Felipe Cardoso, de 17 anos, foi o que melhor se encaixou no mercado, no Red Bull. Wendel Alves foi aprovado em testes no Corinthians. João Vitor Gasparin, Naydjel Callebe e Caike Duarte permanecem sem clube.

Em tempos de pandemia, os jovens tiveram dificuldades para serem observados em outras equipes, já que a base parou por muito tempo.

— O ano de 2020 não foi tão produtivo. Por causa da Covid-19, poucos abriram para a base — explicou Naydjel, que aguarda uma chance.

Caike Duarte, também chamado de Paquetazinho, é outro que está no aguardo e uma oportunidade:

— Estou treinando forte e esperando os clubes voltarem normalmente para aproveitar as oportunidades — destacou o jogador.

Antes da dispensa do grupo, outros atletas deixaram o Flamengo por conta própria. Casos de Kennedy Lucas (Corinthians), Gabriel de Castro (Ponte Preta) e Pablo Ruan (Palmeiras).

De todos os sobreviventes, o único que ainda não está 100%, mas já voltou a campo, foi o zagueiro Jhonata Ventura. Ele teve 30% do corpo queimado e ficou aproximadamente um ano afastado para realizar os trabalhos de recuperação, como fisioterapia respiratória e tratamento para queimaduras nas mãos e braços.

Em função das sequelas, o Flamengo negociou uma indenização por danos morais paga imediatamente após a tragédia no CT Ninho do Uubu. Havia risco de o zagueiro não voltar a jogar. E o clube chegou a oferecer um cargo como funcionário, caso a carreira de atleta ficasse pelo caminho.

Este ano, Jhonata já atuou pelo time sub-17 do Rubro-Negro e está em busca de sua melhor forma. Os demais atletas que seguem no Flamengo também jogam normalmente pela base.