Incêndio no São Lucas: 'Meu marido operou a coluna ontem e precisou descer seis andares de escada', diz esposa de paciente

A radiologista Eliane Belmiro está com o marido, Leonardo Ambrósio, internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, há mais de uma semana. Ele precisou fazer uma cirurgia na coluna na manhã de ontem (7) e, para fugir do pânico provocado pelo princípio de incêndio que teria começado num gerador de energia da rouparia da unidade por volta das 9h10 da manhã desta quarta-feira, os dois precisaram descer seis andares de escada. Por conta do esforço realizado enquanto deveria permanecer em repouso absoluto, vai precisar operar novamente.

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— Já tem uma semana que o hospital está com problemas de energia: apaga e volta. Hoje, aconteceu a mesma coisa e parece que, quando (a luz) voltou, teve um estouro. Eu escutei dois estouros, meu marido escutou mais de cinco. Quando olhei pela janela, vi as pessoas correndo e começou a tocar o alarme de incêndio do hospital. A enfermeira falou 'vai, vai, vocês estão bem, vocês conseguem sair'. Apesar da cirurgia dele (do marido) ter sido na coluna, ele conseguiu descer os seis andares — diz a esposa do paciente, que foi acolhida num prédio próximo ao hospital.

De acordo com a direção do hospital, a situação foi controlada, não houve feridos e os pacientes começaram a retornar para o interior do hospital às 10h.

O princípio de incêndio gerou muita fumaça, e os pacientes tiveram que deixar a unidade às pressas. Ainda de avental, eles foram levados de maca e até mesmo em cadeira de rodinhas de escritório. De acordo com a direção do hospital, não houve feridos. A maioria, ao menos 32 pacientes, foi levada para uma escola vizinha. Cerca de dez pessoas estão sendo acomodadas em prédios da região.

Eliane Garcia Duarte está com a mãe, de 94 anos, internada no São Lucas há cerca de 15 dias. A idosa sofreu um AVC e chegou a ficar alguns dias na UTI mas, no momento do incêndio, já estava no quarto.

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— Abri a porta e vi muito movimento no corredor. Todo mundo estava correndo e mandando evacuar. Era por volta de 9h30. Eles levaram minha mãe e vários pacientes para uma área verde aberta perto de um restaurante. Fiquei desesperada. Parece que o convênio dela vai levá-la ao Copa D'or — disse a empresária de 65 anos.

O Hospital São Lucas emitiu nota informando que "a rouparia, que funciona em um prédio anexo, teve um princípio de incêndio, em premissa, iniciado em um gerador de energia. Às 10h, o mesmo já havia sido controlado pelo Corpo de Bombeiros e os pacientes, que foram evacuados, começaram a retornar para o interior do hospital. Não houve vítimas. As causas e os impactos na operação (de hoje) estão sendo investigadas e novas informações serão divulgadas".

Elaine Mello, instrumentadora que atende no São Lucas, conta que às 9h participaria de uma cirurgia de tórax de um paciente no terceiro andar do prédio. Entretanto, quando o princípio de incêndio começou, a sala cirurgia ficou sem energia e a direção determinou a evacuação do espaço.

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— A cirurgia estava começando quando começou o princípio de incêndio. Mandaram evacuar e a operação foi suspensa. Foi assustador ver as pessoas correndo. A pessoa que seria operada foi encaminhada para outra unidade de saúde — contou a mulher.

Uma recepcionista que estava no quarto do prédio na hora do incêndio disse que foram momentos assustadores: — Graças a Deus foi tudo muito rápido, na saída. Mas, foram duras horas de terror — disse.

— O incêndio foi no gerador do prédio anexo. A fumaça invadiu parte do hospital, mas já está se dissipando. Alguns pacientes foram realocados — disse o secretário de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro. — Alguns pacientes foram realocados. Não há risco de propagação.

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Ao menos seis viaturas do Corpo de Bombeiros estão no local. A Rua Pompeu Loureiro e a Travessa Frederico Pamplona estão interditadas. Já na Rua Bolívar, esquina com Pompeu Loureiro, é possível sentir o cheiro de fumaça. Muitos moradores e curiosos acompanham os resgates. Por ser ser a menos de 100 metros do hospital, os bombeiros do Quartel de Copacabana chegaram em dois minutos ao local.

— Por volta de 9h15, vi o primeiro sinal de fumaça saindo da parte de cima do hospital, que fica bem em frente a janela da minha casa. Em seguida, já começaram as primeiras pessoas a saírem em macas, cadeiras de escritórios e de rodas e até em lençóis. A maioria dos pacientes são idosos, que estão sendo levados para o Colégio Barilan, logo ao lado. Neste momento, há médicos correndo pela rua, que está fechada, e uma viatura do Corpo de Bombeiros. Está um verdadeiro caos. Nunca vi nada parecido — contou a empresária Beatriz Rego, de 36 anos.

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