Incêndio seguido de desabamento destrói prédio da Secretaria de Segurança Pública no RS

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SÃO PAULO, SP, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Dois bombeiros seguem desaparecidos depois do incêndio que destruiu na noite de quarta-feira (14) o prédio da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Rio Grande do Sul, no centro de Porto Alegre. O edifício desabou parcialmente e, segundo os bombeiros, foi totalmente perdido.

Em entrevista a jornalistas, a cúpula do governo confirmou que os desaparecidos são um oficial que estava em serviço, o 1º tenente Deroci de Almeida da Costa, que comandou as guarnições até a chegada do comandante do batalhão, e o 2º sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós, que estava de folga e foi até o local de forma voluntária para ajudar na operação.

"Essa é nossa absoluta prioridade neste momento, a localização do oficial de serviço e do sargento que o acompanhava no exercício da atividade justamente de localizar pessoas no prédio e poder garantir a evacuação de todos, inclusive, da guarnição que os acompanhava e que estava sendo retirada à medida que se tinha a percepção do incêndio declarado, em situação mais comprometedora", afirmou o governador Eduardo Leite (PSDB).

O desaparecimento dos dois bombeiros foi verificado por volta da 1h de quinta-feira, segundo a secretaria. O incêndio teria começado por volta das 21h30, no quarto andar do prédio. Os bombeiros foram acionados às 21h39.

O fogo se alastrou rapidamente pelos andares superiores. O prédio, construído na década de 1970, tem nove andares e uma altura estimada de 27 metros. A SSP funcionava no local desde 2002.

Segundo o comandante geral do Corpo de Bombeiros, Coronel César Eduardo Bonfanti, as equipes tiveram acesso ao prédio nas primeiras horas da manhã de quinta e seguem em operação de busca e salvamento.

Em uma nota publicada no Facebook, no início da tarde, o Corpo de Bombeiros do RS disse que as buscas seguiam com dez bombeiros da CEBS (Companhia Especial de Busca e Salvamento) e com militares e cães de busca, com esperança de encontrar os colegas com vida. Equipes de combate a incêndio seguiam fazendo também o rescaldo.

Leite afirmou que o prédio tinha PPCI (Plano de Prevenção e Combate a Incêndio) aprovado e estava em processo de expansão, um investimento de mais de R$1 milhão do governo gaúcho. Uma empresa privada foi contratada. O plano previa seis meses para execução e estava no segundo mês dela.

Até o momento não há indícios de incêndio criminoso, mas nenhuma hipótese está descartada, segundo o vice-governador e secretário de Segurança Pública do estado, Ranolfo Vieira Júnior. Um inquérito policial foi instaurado ainda durante a madrugada para apurar as causas, também deve ser instaurado um procedimento administrativo para apurar questões gerais.

Inicialmente, a informação era que não havia mortos ou feridos. Em entrevista coletiva ainda na noite de quarta, Ranolfo informou que o local foi evacuado antes que as chamas tomassem conta do prédio. Ele afirmou nesta quinta que havia entre 40 e 50 servidores no local no momento em que o fogo começou.

O comandante disse ainda que houve dificuldade no combate de incêndio interno, que já era de grandes proporções quando as equipes chegaram, o que levou as guarnições a tentarem o combate externo.

Além da Secretaria de Segurança Pública, funcionavam no local as partes administrativas do Detran, do Instituto Geral de Perícias, da Susepe (Superintendência de Serviços Penitenciários) e o centro de controle (190) da Brigada Militar, a Polícia Militar gaúcha. Ranolfo diz que a ideia é colocar o prédio abaixo e ainda deve ser avaliado se será construída uma nova secretaria.

Na noite de quarta, ele garantiu, durante a entrevista, que provas de inquéritos criminais não foram perdidas, porque o prédio era a sede apenas administrativa do Instituto de Perícias. Ele disse também que o 190 foi transferido emergencialmente para outra unidade da Brigada Militar. O serviço funciona normalmente.

"Todas as nossas polícias seguirão nas ruas 24 horas, mantendo toda a atividade operacional regular em todo o estado", garantiu na coletiva à noite.

Além de Vieira, toda a cúpula da Segurança Pública foi para o local do incêndio. "Estamos aqui unidos", afirmou o vice-governador. Leite, que estava em Brasília​, chegou a Porto Alegre por volta das 8h30.

Desde o início do incêndio, áreas próximas foram isoladas para evitar a ampliação dos danos. As saídas da capital pela avenida Castelo Branco, no entorno da rodoviária de Porto Alegre, ficaram bloqueadas nesta quinta para avaliação estrutural do prédio. Há risco de novos desabamentos.

Nas redes sociais, moradores de Porto Alegre publicaram fotos e vídeos mostrando o momento em que o prédio desabou.

Em julho de 2013, um grande incêndio destruiu parcialmente o Mercado Público de Porto Alegre, localizado no centro da cidade, próximo à prefeitura. Parte do telhado desabou. Peritos concluíram que o fogo começou em um restaurante do piso superior da construção histórica. Foi o quarto incêndio no local. O segundo andar do mercado está fechado desde 2013, mas o primeiro pavimento funciona normalmente.

Há 45 anos, em abril de 1976, um incêndio no prédio das Lojas Renner, no centro da capital gaúcha, deixou 41 mortos e 60 feridos, tornando-se a maior tragédia da história mais recente de Porto Alegre e um dos dez piores incêndios do país.

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