Incêndios deixam dois mortos na Espanha e deslocam 8 mil pessoas na França

AP - Paul White

Os incêndios que afetam a Europa causaram uma nova morte no noroeste da Espanha, anunciaram nesta segunda-feira (18) as autoridades locais. Um bombeiro já havia falecido no domingo (17) na mesma área. Na região francesa da Gironde, o fogo resultou no deslocamento de cerca de 8 mil pessoas.

O corpo de "um homem de 69 anos foi encontrado a cerca de quatro quilômetros a oeste de Escober de Tabara, em uma zona afetada pelo incêndio florestal que foi deflagrado no município vizinho de Losacio", anunciaram as autoridades locais em um comunicado, sem fornecer mais detalhes.

A localidade onde este homem morreu, um pastor de acordo com os serviços de emergência, tinha sido esvaziada, como uma dezena de outras, por causa deste incêndio que começou no final da tarde de domingo e cuja origem permanece desconhecida. Centenas de moradores tiveram que deixar suas casas. O tráfego também teve que ser interrompido em uma linha férrea.

Um bombeiro já havia morrido na noite de domingo enquanto combatia o incêndio, informaram as autoridades. A Espanha é palco há mais de uma semana de uma forte onda de calor, que causou diversos incêndios, devastando dezenas de milhares de hectares em todo o país.

“As mudanças climáticas matam pessoas (…) mas também o nosso ecossistema, a nossa biodiversidade”, reagiu esta segunda-feira o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, durante uma visita à Extremadura, região do oeste do país particularmente afetada pelos incêndios. "Desde o início do ano, 70 mil hectares [de floresta] foram destruídos pelo fogo (...), isto é quase o dobro da média da última década", acrescentou.

Maior incêndio da Espanha desde 2004

A Sierra de la Culebra, onde começou o incêndio de Losacio, no noroeste, já havia sido devastada em junho, também durante uma onda de calor, por um incêndio que reduziu a cinzas quase 30 mil hectares.

Em número de hectares, este foi o maior incêndio da Espanha desde 2004, de acordo com o World Wide Fund for Nature (WWF), ONG de defesa do meio ambiente. Nesta segunda-feira, quase toda a Espanha permanece em alerta de incêndio de "risco extremo", o nível mais alto da escala.

O país, que vem “sufocando” desde 10 de julho com máximas acima de 40 graus e com a temperatura caindo pouco à noite, deve experimentar uma breve trégua no início da semana. A agência meteorológica do país (Aemet) considera que segunda-feira será o "último dia desta onda de calor", com a massa de ar quente se deslocando para o norte da península. É nesta zona que serão registradas as temperaturas mais elevadas nesta segunda-feira, com até 42 graus esperados no País Basco e Navarra, na fronteira francesa.

Além das mortes causadas pelos incêndios, o calor também fez vítimas no país. Um homem de 50 anos morreu neste domingo em Torrejon de Ardoz, perto da capital espanhola, vítima de insolação. No dia anterior, em Madri, um trabalhador rodoviário de 60 anos faleceu pelas mesmas razões.

Incêndios na França

Os incêndios também geram grandes transtornos na França, onde cerca de 8 mil pessoas estão sendo "retiradas preventivamente" nesta segunda-feira de dois bairros de La Teste-de-Buch, na região de Gironde, atingida por dois incêndios gigantescos desde a última terça-feira (12), anunciou a prefeitura.

"La Teste não está ameaçada pelas chamas. Por outro lado, o vento está mudando, os bairros estão realmente sob ameaça de serem invadidos pelas fumaça", explicou à AFP o tenente-coronel Arnaud Mendousse. “A fumaça é tóxica, é uma questão de saúde pública proteger a população”, acrescentou o porta-voz dos bombeiros.

No outro foco dos incêndios, mais a leste da região, 3,5 mil pessoas também foram forçadas a deixarem suas casas durante o dia nos municípios de Landiras, Budos e Balizac, também de acordo com um comunicado da prefeitura.

Alerta vermelho

A temperatura aumentou nesta segunda-feira no pico do episódio de uma intensa onda de calor que atinge a França. Na costa atlântica, 15 departamentos estão em alerta máximo. A proliferação de eventos climáticos extremos é uma consequência direta do aquecimento global, na opinião dos cientistas, com as emissões de gases de efeito estufa aumentando em intensidade, duração e frequência.

Na Bretanha, o recorde histórico de temperatura foi batido no início da tarde em Brest com 35,8°C, contra 35,2°C registrados na cidade em 1949. E esse valor não é apenas temporário, pois a temperatura continuará subindo à tarde.

Esta onda de calor afeta toda a Europa Ocidental, causando também incêndios florestais em Portugal. Cerca de metade do território da União Europeia enfrenta atualmente o risco de seca pela prolongada falta de precipitação, com a vegetação e as culturas enfraquecidas pela falta de água, anunciou nesta segunda-feira a Comissão Europeia.

(Com informações da AFP)

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