Incêndios provocados por onda de calor forçam retirada de moradores na Itália e na Grécia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de as temperaturas atingirem níveis altos em diversos países da Europa, serviços de emergência amanheceram nesta quarta-feira (20) combatendo o fogo que assola florestas na parte sul do continente.

Cerca de 500 moradores de Lucca, na região italiana da Toscana, tiveram de deixar suas casas após um incêndio florestal atingir a cidade e causar a explosão de tanques de gás. Mais ao norte, na área de Trieste, a extensão das chamas chegou a ultrapassar a fronteira com a Eslovênia —a prefeitura local alertou que partes da cidade na Itália devem ficar sem fornecimento de energia elétrica e de água.

Na Grécia, residentes também tiveram de ser retirados devido ao fogo que consumiu a vegetação do monte Pentélico, no norte de Atenas. Numa operação com 500 agentes, helicópteros dos bombeiros derramaram água sobre o local. Ventos fortes, de 80 km/h, porém, dificultaram a contenção das chamas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse nesta quarta que a crise climática está acelerando a ocorrência dos incêndios, o que, segundo ele, levará à imposição de mudanças estruturais nos países.

A declaração do chefe do Eliseu, no entanto, foi dada no dia em que o clima foi mais ameno na França. Dos cerca de 40°C registrados na terça, os termômetros marcaram temperaturas na casa dos 20°C nesta quarta, e a queda ajudou a controlar os focos de fogo que atingiram com voracidade o sudoeste do país.

Por outro lado, os termômetros subiram na Espanha, na Grécia, na Itália e em Portugal, onde o fogo já consumiu mais de 10 mil hectares desde domingo e onde mais de mil mortes foram ligadas, direta e indiretamente, ao calor.

Na Espanha, por sua vez, 500 mortes foram relacionadas ao clima. O país conseguiu aplacar o incêndio florestal na província de Zamora, mas outros dois focos, na região da Galícia, seguem sem controle. As temperaturas estão elevadas devido a uma área de alta pressão no continente, formada por uma massa de ar seco que vem do norte da África, na região do Saara, que torna o clima mais quente e seco.

O CALOR DO REINO UNIDO

Nos últimos dias, o Reino Unido foi outro país europeu a sofrer com o calor. Nesta terça, a temperatura chegou a 40,3°C, um recorde. Assim, o governo acionou o alerta máximo de emergência, indicando que o clima afetaria não só a saúde das pessoas, mas também a infraestrutura e os sistemas de transporte.

Diversas viagens de trem a partir de Londres foram canceladas, escolas, fechadas, e trabalhadores, orientados a trabalhar remotamente —poucas casas possuem ar-condicionado, e a maioria foi construída para reter calor, no clima frio.

Em meio ao estado de emergência nacional, um incêndio de grandes proporções atingiu Wennington, a leste de Londres, com a fumaça sendo vista sobre o rio Tâmisa.

O prefeito da capital inglesa, Sadiq Khan, afirmou que os bombeiros estiveram sob "imensa pressão" na terça, com mais de 1.600 solicitações realizadas. Ele também pediu que cidadãos não deixassem vidro ou bitucas de cigarro no chão e não fizessem churrascos na grama ou em balcões de madeira, para evitar incêndios.

Serviços de emergências também ficaram sobrecarregados com os chamados para atender pessoas com tonturas, desmaios e dificuldade para respirar. Assim como na França, porém, as temperaturas nesta quarta foram mais baixas, e a máxima foi de 27°C em Londres, segundo o serviço de meteorologia local.

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