Incêndios se multiplicam no sul da Europa, onda de calor continua

AP

De Portugal à Grécia, passando pela França, Espanha e Marrocos. Vários focos de incêndios se propagam nesta sexta-feira (15) no sul da Europa, região afetada por uma onda de calor escaldante. Pelo segundo dia consecutivo, os termômetros atingiram o pico de 45 graus na Península Ibérica.

Na Gironde, no sudoeste da França, os incêndios continuam se espalhando, apesar dos esforços dos bombeiros há vários dias. O fogo consome grandes áreas de La Teste-de-Buch, perto de Arcachon, e em Landiras. Três casas e dois restaurantes foram destruídos pelo fogo nessa região, que fica aproximadamente quarenta quilômetros ao sul da cidade de Bordeaux.

Ao todo, 7.300 hectares de floresta de pinheiros foram queimados e 10.000 pessoas tiveram de deixar suas casas. A situação é desfavorável, com vento e calor intensos, declararam as autoridades da região. Elas pediram aos veranistas para que não se aproximem da famosa duna do Pilat, que está fechada aos visitantes por medida de segurança.

Os 4.000 habitantes da cidade de Cazaux, perto da duna turística, passaram a noite na casa de parentes ou em um ginásio municipal, enquanto uma grande nuvem de fumaça podia ser vista no céu. Os serviços de emergência tentam proteger as casas dessa região de veraneio de muitos franceses. Duas já foram destruídas.

Os bombeiros conseguiram controlar um outro incêndio, perto de Avignon, também no sudoeste da França. Mil bombeiros estão mobilizados para evitar novos focos, e as altas temperaturas, previstas a alcançar 40 graus nos próximos dias, não devem facilitar o trabalho. O fogo foi provocado por faíscas geradas pela passagem de um trem, na região extremamente seca.

Devido às condições climáticas e para evitar qualquer risco, algumas cidades do sul da França cancelaram os tradicionais fogos de artifício deste 14 de Julho, a festa nacional francesa.

O presidente francês Emmanuel Macron saudou, nesta sexta-feira, a "mobilização" dos serviços do Estado e agradeceu aos bombeiros e as autoridades locais pelos esforços para combater os incêndios que atingem o país. "Estamos mobilizados" e "vamos continuar a resistir", assegurou o Chefe de Estado. "Estamos vivendo uma temporada excepcionalmente difícil. Já temos três vezes mais florestas queimadas do que em 2020", após "uma primavera muito seca", observou.

Segundo o serviço de meteorologia Météo-France, as ondas de calor vão se tornar “mais frequentes, e mais cedo”, fazendo com que os verões sejam “cada vez mais quentes, em que os 35 graus passarão a ser uma temperatura normal”. Para os cientistas, a multiplicação e o prolongamento das ondas de calor, agravadas pelas emissões de gases de efeito estufa, constituem um sinal inequívoco do aquecimento global.

Portugal em chamas

Mas não é só a França que está queimando com as altas temperaturas do verão europeu. Em Portugal, mais de 2.000 bombeiros estão mobilizados há vários dias para controlar quatro grandes focos de incêndio nas regiões norte e centro do país. O fogo deixou um morto e 60 feridos.

De acordo com as autoridades locais, a situação melhorou um pouco, mas ainda é necessário ter prudência, alertou o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Mais de 30.000 hectares foram destruídos no país desde o começo do ano, o número mais alto registrado desde 2017.

De acordo com o último relatório da Defesa Civil portuguesa, 860 pessoas tiveram que deixar suas casas e cerca de 60 residências foram destruídas ou danificadas pelas chamas. Em uma semana, os incêndios devastaram cerca de 13.500 hectares em Portugal, de acordo com dados disponíveis no site do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

A situação mais preocupante se encontra nos distritos de Leiria e Aveiro, no oeste do país. Os incêndios em Palmela e Faro, no extremo sul, foram controlados.

Outros países

Na vizinha Espanha, um grande incêndio já devastou pelo menos 4.000 hectares numa zona montanhosa que abrange as regiões da Extremadura e Castela e Leão, não muito longe de Portugal.

Na Grécia, a batalha contra as chamas deixou dois mortos na quarta-feira (13), quando um helicóptero caiu no mar enquanto tentava apagar um incêndio florestal na ilha de Samos.

Vários incêndios de menores proporções ocorreram na Itália e na Croácia, de acordo com o sistema europeu Copernicus.

Na Península Ibérica, confrontada durante vários dias com temperaturas sufocantes, os termômetro atingira pelo segundo dia consecutivo um pico de 45°C, registado às 17 horas da quinta-feira (14) perto de Ávila, no centro-oeste.

Incêndios no norte de Marrocos

Do outro lado do Mar Mediterrâneo, bombeiros e soldados marroquinos também tentavam, na quinta-feira, controlar vários focos de incêndios que progrediram em áreas florestais isoladas no norte do país, disseram autoridades locais.

Alimentados por um vento violento, esses incêndios estão devastando florestas e outros locais de difícil acesso, sem causar vítimas até o momento. As autoridades retiraram cerca de 500 famílias "como medida preventiva" nas províncias de Larache e Taza, informam comunicados de imprensa oficiais.

Há vários dias, o Marrocos é atingido por uma onda de calor, com temperaturas que se aproximam dos 45 graus, num contexto de seca e stress hídrico.

(Com informações da RFI)

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos