Incomum no mundo olímpico, atletas do skate torcem pelos rivais; entenda

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TÓQUIO — A expectativa era de pódio duplo ou triplo, uma vez que o Brasil tem algumas das principais participantes do skate street. Pamela Rosa e Letícia Bufoni não se classificaram para a final e coube Rayssa Leal, de apenas 13 anos, a responsabilidade de buscar a medalha sozinha. E ela, mesmo tão nova e em prova nos Jogos Olímpicos foi lá e se divertiu. Ganhou a segunda medalha de prata do esporte que estreia em Olimpíadas. Se no dia anterior a conquista de Kelvin Hoefler, 28 anos, escancarou um racha no skate, entre ele e a Confederação Brasileira de Skate, a de Fadinha mostrou a união dos atletas desta modalidade. Em várias oportunidades os skatistas disseram que torciam para seus rivais e que modalidade é uma grande família.

— O esporte feminino está crescendo muito mais do que antes e acho super importante torcer para que as meninas acertem e se divirtam bastante na pista. É gratificante ver o nível do feminino crescer e ver que uma quer ensinar a outra — explicou Rayssa, que tem Letícia Bufoni como ídolo e amiga. — Ela me ensinou muita coisa e continua a me ajudar (mesmo sendo concorrentes).

Mesmo eliminada, Letícia assistiu à final da arquibancada e torceu pela amiga. Pamela ajudou Kelvin na decisão. E Kelvin fez a vez de técnico para Pamela.

— Estava ali torcendo por ela, estava mais nervosa que quando estava competindo. Fiquei muito feliz, merece muito — afirmou Letícia após a confirmação da medalha de Rayssa.

Rayssa chegou a ficar abalada com a eliminação de Bufoni e também de Pamela Rosa na decisão olímpica. Ela queria tê-las como rivais na final. Durante a competição, Rayssa falava com as concorrentes na pista, dançava e brincava. O clima entre elas não era de rivalidade.

— A gente falou que, quando chegasse aqui, mudaria a cara das Olimpíadas porque o skate é diferente, é amizade. Eu queria ver os caras acertando. Nós somos uma grande família e queremos ver o bem do outro. Não queremos o outro errando, se machucando, queremos ver sempre o melhor —contou Kelvin, que lembrou de episódio em sua decisão: — Eu falei para o Angelo Caro (Peru): 'Você precisa de um 7,5 para passar para a final. Cara, pensa, respira, que você consegue. Você é o melhor dando essa manobra'. E aí ele acertou e foi para a final. Muita gente do skate em geral é assim.

Felipe, o primeiro skatista que dropou nos Jogos Olímpicos mas que não avançou à final, explicou que a modalidade é assim mesmo. Que a maioria dos atletas passou perrengue e que um ajuda o outro. Também disse que o skate é lifestyle antes de ser esporte:

— Quando me perguntaram na decisão masculina, quem eu queria que ganhasse, eu não sabia responder. Tenho tantos amigos — contou Felipe. — Alguém me falou que éramos os únicos atletas olímpicos que treinam juntos. Lá na Califórnia, eu Nyjah (Huston), Yuto (Horigome) treinamos juntos na mesma pista. Não tem isso de que não podem ver a nossa manobra. O skate é lifestyle e amizade e eu quero ver os meus amigos rivais acertando. Eu vou fazer a minha parte também. Nunca teve rixa. Claro que a gente quer entrar na competição e ganhar. Vou lá e faço o meu. Nunca teve isso e não era agora (nos Jogos Olímpicos) que ia ter. Esse é só mais um evento.

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