Indígenas da Amazônia denunciam exclusão da Cúpula das Américas

Representantes indígenas da Amazônia denunciaram que foram excluídos da Cúpula das Américas, que acontece nesta semana em Los Angeles e que tem em sua agenda a discussão sobre as mudanças climáticas.

"As vozes indígenas não estão sendo ouvidas na Cúpula das Américas", afirmou Atossa Soltani, fundadora e presidente da ONG Amazon Watch. "Vários delegados indígenas tiveram sua entrada negada", acrescentou.

Soltani afirma que vários representantes indígenas se inscreveram para participar das atividades da Cúpula e percorreram enormes distâncias para chegar ao evento nos Estados Unidos, mas não tiveram acesso com a justificativa de que "não há espaço para todos".

"Nestes eventos importantes, onde há governos no poder, devemos estar todos os indígenas de diferentes países, para chegar com nossa voz e com nossa proposta", questionou Domingo Peas, da comunidade achuar na Amazônia equatoriana.

Peas, membro da Confederação de Nações Indígenas da Amazônia Equatoriana, viajou de barco, carro, ônibus e avião por mais de dois dias para ir de sua remota comunidade de cem famílias a Los Angeles, apenas para ouvir que não poderia participar do evento que abordará a questão ambiental.

- Soluções -

"Os povos indígenas não só têm as soluções para a nossa crise climática e biodiversidade, eles são os habitantes originários", acrescentou Soltani.

"O motivo pelo qual temos essas incrivelmente intactas florestas na América Latina é porque os indígenas cuidaram delas por séculos e as defenderam com suas vidas".

Os representantes indígenas organizaram manifestações e protestos pedindo aos líderes da região para "agir".

"O destino da Amazônia está nas mãos dos líderes reunidos aqui. É o futuro da vida no planeta", afirma.

A Cúpula das Américas voltou aos Estados Unidos após sua primeira reunião em 1994, em Miami. O encontro é ofuscado por ausências notáveis como as do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador.

A Amazônia se estende por oito países latino-americanos e pela região da Guiana Francesa, com o Brasil concentrando a maior proporção da floresta.

O presidente Jair Bolsonaro foi duramente criticado por Sotani por seus pronunciamentos a favor da exploração comercial desse território.

"Começa de cima, se o presidente Bolsonaro fizer comentários racistas e incentivar a destruição da Amazônia, é claro que ele vai alimentar atividades criminosas", criticou.

A porta-voz da Amazon Watch também expressou preocupação com o desaparecimento na Amazônia brasileira do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo Pereira.

"É necessária uma investigação imediata. Basicamente, precisamos acabar com as gangues criminosas que ameaçam as comunidades e as pessoas que tentam proteger a floresta", pediu.

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