Indígenas da Amazônia peruana denunciam vazamentos de petróleo como uma 'pandemia'

Os vazamentos de petróleo e a consequente poluição de alguns rios na Amazônia do Peru se tornaram uma “pandemia” de 50 anos para os indígenas que vivem nas áreas afetadas, denunciou nesta quinta-feira (10) um líder dessas comunidades.

“Essa pandemia (de covid-19) despertou meio mundo porque fez todos adoecerem, mas nós temos uma pandemia há 50 anos em nosso território, que vem matando nossas gerações e destruindo tudo que temos”, afirmou Alfonso López Tejada, líder do povo indígena Cocama.

“Sofremos mais de 50 anos de atividade petroleira”, disse ao culpar a companhia estatal Petroperu pelos derramamentos de óleo na Amazônia devido a problemas em seu oleoduto.

Por sua vez, Nelton Yunkar, máxima autoridade da nação Achuar, reivindicou o fim da exploração de hidrocarbonetos.

“Nós, povos Achuar e Wampi, rejeitamos completamente todos os extrativistas em nosso território”, declarou durante uma conferência com correspondentes da Associação de Imprensa Estrangeira do Peru.

Os líderes indígenas levantaram a voz após protestos protagonizados no fim de semana pela etnia Kukama Cuninico, que reteve por mais de 24 horas duas embarcações fluviais com turistas para chamar a atenção para a inação do governo diante de um vazamento de petróleo ocorrido em setembro.

O oleoduto Norperuano, da Petroperu, foi construído há quatro décadas para transportar o óleo da região amazônica até os portos de Piura, na costa.

A companhia relatou desde janeiro 11 atentados contra seus 800 km de dutos, que provocaram vazamentos.

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