Indígenas da Amazônia pintam o rosto em apoio a Lula

Antes de ir votar, os indígenas Sateré-Mawé, no estado do Amazonas, pintam seus rostos com um objetivo comum: apoiar a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao poder.

Sua comunidade, a 80 quilômetros da capital, Manaus, é uma reserva protegida, adverte uma placa do governo federal.

Zelinda Araújo, artesã e artista gráfica de 27 anos, preparou seus pinceis e tintas desde cedo neste domingo (30).

Um depois do outro, os membros de sua pequena comunidade se sentam para que ela desenhe em seus rostos linhas pretas e vermelhas formando a ponta de uma flecha.

Essas setas, explicam, apontam para o "alvo" de que Lula derrote o presidente Jair Bolsonaro (PL), que ganhou o desprezo das comunidades na Amazônia por sua recusa em demarcar mais territórios originários para sua preservação.

"Nosso presidente com certeza é o Lula porque ele sim sabe como a gente necessita de uma melhor qualidade de vida", afirma Araújo.

Após pintar os outros indígenas, ela pega um espelho e faz os mesmos desenhos em seu rosto.

Está tudo pronto para que as cinco mulheres com seus filhos partam para a comunidade vizinha de Ariaú. O único homem do grupo é um jovem indígena com um cocar de penas.

A caminho do local de votação, Beth da Silva sopra seu 'rurru', um instrumento cilíndrico de madeira que emite um som oco.

Na realidade é "um grito de guerra né, a gente assopra ele para ter força, para conseguir os nossos objetivos, que é votar no nosso candidato, o Lula", explica.

Já no local, Beth e seus companheiros se aproximam das urnas para marcar seu voto eletrônico.

Na saída, alguns desenham com os dedos um L, o símbolo de apoio a Lula.

Beth deseja que seu voto sirva para conquistar um "Brasil diferente", mas sobretudo para terminar com o "sofrimento" que, segundo eles, significaram os quatro anos do governo de Bolsonaro.

O pajé do povo Sateré-Mawé, Sahu da Silva, acredita que esta eleição será fundamental para o futuro da comunidade.

Lula "tentou demarcar as nossas terras, fez alguns projetos, alguns programas bons", diz.

"Confio em Deus que ele vai voltar" ao poder.

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