Indígenas denunciam novos ataques apesar de ordem de proteção

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(Arquivo) Em foto tirada em 24 de abril de 2018, um menino indígena da tribo Munduruku olha por trás de cartazes enquanto participa de uma manifestação no Acampamento Terra Livre, em Brasília

Indígenas da etnia Munduruku denunciaram nesta quarta-feira (26) ter sofrido novos ataques após uma operação policial que tinha como objetivo expulsar os garimpeiros que ocupam ilegalmente suas terras no estado do Pará.

O Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou nesta semana que o governo garanta a proteção dos indígenas Munduruku e Yanomami diante das ameaças e ataques que eles vêm sofrendo na mais recente escalada de violência na região, no coração da floresta amazônica.

"Criminosos estão aterrorizando lideranças do povo Munduruku por serem contra o garimpo ilegal", tuitou Sonia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

"Em um ato terrorista, incendiaram hoje a casa da Maria Leusa Kabá e seguem ameaçando outras pessoas em retaliação à operação da PF na região para expulsar invasores da TI Munduruku", denunciou Guajajara, uma das principais porta-vozes dos povos indígenas no Brasil.

A Polícia Federal (PF) lançou na terça-feira uma operação com 130 agentes nos arredores do município de Jacareacanga para combater o garimpo ilegal nas terras indígenas, em cumprimento às medidas solicitadas pelo STF.

A PF não confirmou os novos ataques denunciados pelos indígenas, mas afirmou que suas próprias forças "foram surpreendidas por um grupo de garimpeiros, que iniciou um protesto contra a operação de proteção das terras indígenas".

O grupo tentou destruir veículos e equipamentos policiais, acrescentou a PF, que afirma ter contido o motim sem que houvesse feridos.

O governador do Pará, Helder Barbalho, disse nesta quarta-feira que estava "preocupado com o clima de tensão" e enviou o comandante e outros agentes da Polícia Militar de Belém para atuar como mediadores, junto com os policiais federais em Jacareacanga.

A mineração ilícita, que causa danos ambientais, tem provocado divisões entre os indígenas da região, alguns dos quais se associaram aos invasores e os ajudam na exploração de recursos e em ataques, segundo a imprensa local.

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinou na segunda-feira ao governo de Jair Bolsonaro "a adoção imediata de todas as medidas necessárias à proteção da vida e da segurança das populações indígenas que habitam as TIs Yanomami e Mundurucu".

Em 10 de maio, a Hutukara Associação Yanomami denunciou um confronto entre indígenas e garimpeiros ilegais que invadiram a comunidade Palimiu, no estado de Roraima, deixando quatro garimpeiros e um indígena feridos a tiros.

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