Indígenas desafiam estado de sítio na Guatemala e bloqueiam rodovia após massacre

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Sete caixões de pessoas assassinadas no povoado de Chiquix, durante uma cerimônia em Santa Catarina Ixtahuacan, Guatemala, em 20 de dezembro de 2021 (AFP/Johan ORDONEZ)

Centenas de indígenas da Guatemala desafiaram o estado de sítio e bloquearam uma rodovia nesta terça-feira (21), pelo segundo dia consecutivo, para exigir uma solução para um antigo conflito limítrofe entre dois municípios que, no último fim de semana, provocou a morte de 13 pessoas.

Com pedras, pneus, galhos de árvores e blocos de concreto, os manifestantes do município de Santa Catarina Ixtahuacán fecharam a rodovia Interamericana no quilômetro 170, no oeste do país.

Nesse mesmo local, manifestantes e familiares velaram na segunda-feira 11 das vítimas, cujos caixões permaneceram durante horas enfileirados sobre a rodovia, no meio de um altar com flores, velas, fumaça de incenso e fotografias das 13 pessoas assassinadas, entre as quais havia crianças, mulheres e idosos.

"A população quer paz, tranquilidade e uma solução imediata, porque o que se está solicitando é somente o limite" com o município vizinho de Nahualá, disse à AFP o líder comunitário Francisco Tambriz, de 51 anos.

Santa Catarina Ixtahuacán e Nahualá mantêm um conflito que já tem mais de um século pelos limites entre ambas as localidades da mesma etnia maia, uma disputa que já resultou em diversos episódios de violência.

Na noite de sábado, a polícia informou sobre o assassinato de 13 pessoas, entre elas três crianças que eram irmãos, a localização de um caminhão parcialmente incendiado e uma viatura com perfurações de bala no vilarejo de Chiquix, em Nahualá.

As vítimas, originárias de Santa Catarina Ixtahuacán, que se dirigiam para coletar milho, foram alvo de uma emboscada cometida por homens armados. Três indivíduos supostamente responsáveis pela chacina foram detidos.

O ataque levou o presidente Alejandro Giammattei a decretar, desde a segunda-feira e por 30 dias, o estado de sítio que restringe direitos constitucionais como as manifestações e o uso de armas nas duas comunidades indígenas.

"Santa Catarina [Ixtahuacán] está chorando sangue", acrescentou Tambriz, ao indicar que uma comissão de moradores viajou à capital para se reunir com autoridades do Ministério do Interior para tentar definir um processo que estabeleça os limites.

Em maio do ano passado, após uma nova escalada de violência na região, Giammattei implementou o estado de sítio e instalou uma mesa de diálogo, mas os moradores de Santa Catarina Ixtahuacán a classificaram como um "fracasso".

"Já não queremos mais mortos, já não queremos mais violência. Estamos buscando a paz e a justiça", acrescentou, diante do bloqueio, um senhor de idade que apenas se identificou como Diego.

As comunidades indígenas, muitas das quais vivem em condições de pobreza, representam mais de 40% dos 17 milhões de habitantes da Guatemala.

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