Indígenas do Equador bloqueiam estradas em protesto contra o governo

O principal movimento indígena do Equador iniciou nesta segunda-feira (13) um ciclo de protestos contra o governo do presidente conservador Guillermo Lasso, bloqueando estradas em várias províncias para exigir uma redução nos preços do combustível, informaram as autoridades locais.

As manifestações começaram por volta das 00h00 local (2h00 em Brasília) desta segunda-feira, disse à imprensa o ministro da Defesa Luis Lara, acrescentando que "há interdições de estradas em algumas partes do país".

Convocados pela majoritária Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), os indígenas bloquearam estradas com pneus em chamas e barricadas erguidas com terra, pedras e árvores em pelo menos sete das 24 províncias equatorianas, incluindo a Andina Pichincha - cuja capital é Quito - de acordo com o serviço estatal ECU911.

Os acessos à capital equatoriana estavam bloqueados por manifestantes, segundo o comandante da polícia general Fausto Salinas, que fez um apelo à paz. "Não podemos parar o país", disse à imprensa.

Lasso, que assumiu o cargo há um ano, alertou na noite de domingo que não permitirá o bloqueio de estradas ou a tomada de poços de petróleo durante os protestos.

"Não podemos permitir que grupos políticos que buscam desestabilizar (...) voltem a paralisar o país", disse o presidente em um vídeo postado em sua conta no Twitter.

A oposição Conaie protesta contra o que considera altos preços dos combustíveis, a falta de emprego e controle de preços de produtos agrícolas e a entrega de licenças de mineração em territórios nativos.

Desde 2020, os preços dos combustíveis foram revisados mensalmente, de modo que o galão americano de diesel (cerca de 3,78 litros) quase dobrou de 1 dólar para 1,90 e o valor da gasolina comum subiu 46%, de 1,75 para 2,55 dólares.

Lasso congelou os preços para desativar as reivindicações indígenas. A Conaie exige que os preços sejam reduzidos para 1,50 dólares para o diesel e 2,10 para a gasolina de 85 octanas.

O Equador, país de 17,7 milhões de habitantes, conta com mais de um milhão de indígenas. Essa organização participou de revoltas que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005.

O ministro do Interior, Patricio Carrillo, apontou que policiais e militares foram mobilizados para "garantir a ordem pública".

Ele ressaltou que "não houve confrontos" entre manifestantes e soldados durante as primeiras horas do protesto, que serão "indefinidos" segundo Leonidas Iza, presidente da Conaie.

A Conaie liderou manifestações violentas em 2019 que deixaram 11 mortos, o que forçou o então presidente Lenín Moreno a desistir de um plano para eliminar os subsídios milionários aos combustíveis.

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