Indígenas do Equador mantêm protestos após prisão de líder, acusado de vandalismo

A prisão do líder indígena equatoriano Leonidas Iza por supostos atos de vandalismo não impediu que milhares de equatorianos voltassem a bloquear rodovias nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, em protesto contra o governo. As manifestações, convocadas por tempo indeterminado, ocorreram em pelo menos 11 das 24 províncias equatorianas, incluindo os acessos a Quito.

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O presidente conservador Guillermo Lasso denunciou que na segunda-feira aconteceram "atos de vandalismo", como invasões de produtores agrícolas e o ataque a uma instalação de bombeamento de petróleo na floresta amazônica — ataque que foi negado por vários ministros da área de segurança na noite de segunda-feira.

Os indígenas, que exigem a redução dos preços dos combustíveis e a renegociação das dívidas dos camponeses com os bancos, continuam bloqueando estradas com pneus em chamas, toras e barricadas de terra e pedras.

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As reclamações não diminuíram apesar de Iza, chefe da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), ter sido preso na manhã de terça-feira no setor de Pastocalle, na província andina de Cotopaxi, no Sul do país. O líder Kichwa-Panzaleo foi transferido para uma unidade da Procuradoria em Quito, segundo a ONG de direitos humanos Inredh.

A sede da entidade está isolada por policiais e militares. Nos arredores, manifestantes agitavam bandeiras do movimento indígena. A Inredh considerou que a prisão de Iza, um engenheiro ambiental de 39 anos, "provocará maior indignação e uma onda de violência".

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A Conaie, que em 2019 liderou mais de uma semana de manifestações violentas contra o governo que deixaram 11 mortos, confirmou a prisão de Iza, presidente da confederação desde junho de 2021, e classificou a detenção como "violenta, arbitrária e ilegal", pedindo sua libertação.

"Grupos de elite da Polícia e das Forças Armadas detêm ilegalmente Leonidas Iza, presidente da Conaie. Chamamos a nossa estrutura organizacional a RADICALIZAR as medidas de fato pela LIBERDADE de nosso líder máximo e pela dignidade de nossa luta", afirmou o movimento no Twitter.

O ministro do Interior, Patricio Carrillo, por sua vez, informou que há cinco detidos: quatro autores materiais e um dos autores intelectuais, "que aguardam audiência".

— Aqueles que cometem atos de vandalismo responderão à justiça — enfatizou Lasso, que assumiu o cargo há um ano.

As autoridades estimaram que cerca de 6 mil pessoas participaram dos protestos nacionais de segunda-feira. Por sua parte, Iza sustentou que o Executivo está "minimizando" as manifestações e alertou que elas continuarão de maneira "indefinida".

A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador, que já participou de vários diálogos malsucedidos com o governo de Lasso, propõe que os preços dos combustíveis sejam reduzidos para US$ 1,50 para o galão de 3,78 litros de diesel e US$ 2,10 para a gasolina de 85 octanos. Os indígenas também protestam contra a falta de emprego e a entrega de concessões de mineração em seus territórios. Eles exigem também o controle de preços dos produtos agrícolas.

Fundada ainda na década de 1980, a Conaie é a maior organização indígena do país, e uma das mais antigas e importantes do continente. Um dos marcos da luta da organização foi a insurreição indígena de 1990, contra o então presidente Rodrigo Borja Cevallos, quando se estima que mais de um milhão de pessoas participaram das manifestações lideradas pela Conaie. Sua força ficou ainda mais evidente ao longo da década e no início dos anos 2000, quando o país sofreu o retrocesso econômico mais severo da América Latina e a Conaie teve um protagonismo social importante, ajudando a derrubar diversos presidentes, como Abdalá Bucaram, em 1997; Jamil Mahuad em 2000; e Lucio Gutierrez, em 2005.

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