Indígenas isolados são vistos próximos a aldeia no Vale do Javari e geram tensão sobre contato e conflito

Indígenas isolados foram avistados na manhã desta segunda-feira próximo à aldeia São Joaquim, onde habitam os Marubo, no Vale do Javari. A presença e a aproximação inédita deles às margens do rio Ituí geram preocupação de indigenistas e agentes de saúde que temem pelo contato e possível conflito. Os relatos do aparecimento foram feitos ao GLOBO por Valdir Marubo e Lucas Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). De acordo com os Marubo, eles estão em frente a comunidade do outro lado do rio, "gritando e muito agitados" em língua desconhecida, o que gera tensão entre os demais indígenas.

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- Ao que parece estão pedindo ajuda. Passei rádio para os Marubo da aldeia para não dar comida e nem ferramentas para não haver contaminação de gripe. Dessa vez eles chegaram muito perto da comunidade e precisamos cuidar para que não haja conflito - diz Lucas Marubo.

Servidores da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari (FPEVJ), da Funai, e agentes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, estão em contato com os Marubo para monitorar o possível contato. Por terem resposta imunológica menos eficiente para combater infecções virais eles são ainda mais vulneráveis e suscetíveis a doenças.

Uma sala de situação foi criada para organizar uma missão de helicóptero até o local. A Aldeia São Joaquim fica a três dias de barco de Atalaia do Norte, mesma distância onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foram assassinados no dia 5 de junho.

- Quando as mulheres indígenas foram até a roça tirar banana foram surpreendidas com a presença de isolados muito agitados e falando uma língua que não foi reconhecida por elas - afirma Valdir Marubo.

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O Distrito Sanitário do Alto Solimões articula para conseguir um helicóptero, o que encurtaria a viagem para 1h30.

Habitam o Vale do Javari os povos Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari, Tsohom Djapa, Kulina Pano e Korubo. Há ainda o registro de ao menos 16 povos isolados, dos quais dez já foram confirmados e outros seis estão em estudo.

Bruno e Dom

Justiça Federal de Tabatinga (AM) aceitou a denúncia do Ministério Público Federal e tornou réus pelos crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação dos corpos contra os três principais suspeitos de participação nas mortes: Amarildo da Costa Oliveira, vulgo Pelado, Jeferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, e de Oseney da Costa Oliveira, o Dos Santo. Todos eles são ligados à prática de pesca ilegal na região, sobretudo em território indígena do Vale do Javari.

Além da participação de outros homens na ocultação dos corpos, que foram esquartejados, parcialmente queimados e enterrados em covas no meio da floresta, a Polícia Federal também investiga a participação no crime de Rubens Villar Coelho, peruano conhecido como Colômbia, preso este mês após apresentar-se à polícia com documentos falsos. Ele é tido como uma das principais lideranças do esquema de pesca ilegal na região e seria chefe de Amarildo. O homem nega participação nas mortes de Dom e Bruno. Há suspeita, inclusive, de que o peruano possa ter sido o mandante do crime.

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