Indígenas do Pará pedem proteção após garimpeiros serem soltos

·2 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cinco homens e dois adolescentes que haviam sido presos e apreendidos no sábado (16) após invadirem o território indígena Xipaya, no Pará, foram soltos no mesmo dia. A situação preocupa indígenas da região, que temem represálias. As lideranças locais, com o apoio da deputada federal Joenia Wapichana (Rede-RR) pedem que a segurança na região seja reforçada.

A solicitação foi feita em ofício enviado à Polícia Federal e ao ministro da Justiça e Segurança Pública neste domingo (18).

Wapichana é coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas da Câmara dos Deputados e assina o ofício junto com os também deputados Vivi Reis (PSOL-PA) e Airton Faleiro (PT-PA).

De acordo com o ofício, o delegado da Polícia Federal responsável pelas prisões disse às lideranças indígenas que não havia logística para levar todos os sete para depor em Altamira ou Itaituba, municípios da região, dentro das 24 horas previstas em lei.

Por essa razão, eles teriam sido liberados no mesmo lugar em que foram detidos, dentro do território Xipaya. A balsa em que estavam foi apreendida pelas autoridades.

Em nota enviada à reportagem a Polícia Federal confirmou que o grupo foi solto. Segundo a PF, o prazo de 24 horas que permitiria a prisão em flagrante já havia acabado e "como a crise inicial já estava contida", os invasores foram escoltados para fora do território indígena.

A PF diz ter instaurado inquérito para investigar garimpo ilegal no território Xipaya e afirma que os suspeitos foram intimados a comparecer à delegacia da Polícia Federal em Altamira para prestar depoimento.

Ainda de acordo com o ofício das lideranças indígenas, os invasores estavam até a noite deste domingo (17) navegando dentro do território indígena pelo rio Iriri.

A frente parlamentar de defesa dos povos indígenas pede às autoridades que escoltem os homens para fora das áreas protegidas.

"Face ao exposto requeremos medidas cabíveis para resguardar a proteção da terra indígena e a integridade física do povo Xipaya. Além disso, destacamos a importância da continuidade da operação dos órgãos ambientais naquela região e que não tenha a impunidade relacionada ao presente caso", escrevem.

Juma Xipaia, cacique da aldeia Karimaa, denunciou nas redes sociais na última quarta (13) a chegada da balsa de garimpo, de dois andares, considerada de grandes proporções.

De acordo com o relato de Juma, publicado em suas redes sociais, os invasores usaram de violência contra o seu pai, que registrava a movimentação com um celular. Na quinta (14), a balsa já havia se distanciado, mas não deixou o território.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos