Indígenas pataxós denunciam novos ataques no sul da Bahia

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Indígenas de etnia pataxó foram alvo de ataques de pistoleiros nesta terça-feira (6) no município de Prado, no sul da Bahia, informaram entidades que atuam na região.

O ataque aconteceu na aldeia Nova e na aldeia Pé no Monte, que fazem parte do território indígena Barra Velha, que está em processo de demarcação.

Homens armados chegaram no início da noite de terça, mataram animais, arrombaram e incendiaram casas. Os indígenas se esconderam em meio à vegetação e não houve pessoas feridas.

"Estamos sob ataque de fazendeiros que dizem que a terra é deles. Mas a terra não é deles, a terra é nossa. Estão derramando nosso sangue, pedimos às autoridades que venham resolver nosso problema", disse o cacique Juvino Braz, da Aldeia Nova, em vídeo divulgado na quarta-feira (7).

As duas áreas são ocupadas por indígenas desde 1999 e estão em processo de demarcação no âmbito do governo federal. Os processos foram paralisados durante o governo Jair Bolsonaro (PL), que foi eleito em 2018 com a promessa de não criar novas terras indígenas.

Esse é o segundo ataque de homens armados que acontece na região nos últimos dias. No domingo (4), um adolescente indígena de 14 anos foi morto após um ataque de pistoleiros na território indígena Comexatibá, também no sul da Bahia.

A escalada da violência na região acontece após novas ocupações de áreas na região. Em junho, um grupo de 180 indígenas pataxós ocuparam uma fazenda no município Prado que fica nos limites da área de demarcação do território indígena Comexatibá.

Desde então, indígenas tem recebido ameaças e sofrem com cercos e ataques de homens armados que circulam pela região. Além dos ataques em Barra Velha e Comexatibá, foram registrados cercos às comunidades de Boca da Mata e Cassiana, também em Prado.

Presidente do Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia, Gerdison Santos Nascimento, o cacique Aruã, afirma que as comunidades estão desassistidas e cobra ação mais incisiva do governo da Bahia para proteger os indígenas.

"Estamos cobrando a criação de uma força-tarefa para vir para a região. Os ataques dos fazendeiros têm sido constantes e seguem o mesmo modus operandi, com homens fortemente armados, inclusive policiais que servem como jagunços", afirmou.

Ele ainda criticou o governo Bolsonaro por paralisar os processos de demarcação, sucatear a Funai e facilitar o acesso ao armamento para a população, incluindo armas de grosso calibre: "É um governo anti-indígena".

O Cimi (conselho Indigenista Missionário) Regional Leste emitiu uma nota na qual condenou os ataques, a omissão do poder público e pediu urgência na tomada de providências para evitar a continuidade deste massacre.

"Diante da total omissão do Estado brasileiro e reféns do latifúndio local, com a inoperância do governo da Bahia, o povo Pataxó no Extremo-Sul da Bahia sofre uma sequência de atos de violência que já culminaram neste fim de semana com a morte de um indígena adolescente e outro ferido", disse a entidade.

Em nota, a Polícia Militar informou que foi acionada pelo cacique da Aldeia Nova, distrito de Corumbau, em Prado, informando que sua aldeia estava sendo atacada por disparos de arma de fogo vindo da mata.

"No local, as guarnições realizaram rondas, porém nenhuma arma, munições ou suspeitos foram encontrados", informou a polícia.

A PM ainda informou que segue com ações de policiamento ostensivo e preventivo no entorno da área conflituosa.