Indígenas equatorianos fecham vias e governo diz controlar protestos

A maior organização indígena do Equador, que exige uma redução nos preços dos combustíveis, bloqueou rodovias nesta segunda-feira (13), primeiro dia de protestos contra o governo, que afirma que as manifestações estão sob controle.

As mobilizações, convocadas pela Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie) por tempo indeterminado, transcorreram sem incidentes violentos, constatou a AFP em um percorrido cedo nos arredores de Quito.

Os protestos se estenderam a uma dezena das 24 províncias do país, inclusive na andina Pichincha - cuja capital é Quito -, segundo informações oficiais.

"Ganha mais força a #MobilizacionNacional, 16 províncias com medidas de fato", informou a Conaie pelo Twitter.

Os manifestantes bloquearam com pneus e barricadas em chamas vias e acessos à capital equatoriana, mas os mesmos foram reabertos com a intervenção da polícia.

"A situação permanece absolutamente sob controle", disse durante coletiva de imprensa em Quito o ministro do Governo (Casa Civil), Francisco Jiménez, ao fazer um balanço inicial, acrescentando que o número de manifestantes "é substancialmente inferior" ao previsto.

Na mesma coletiva, seu colega do Interior, Patricio Carrillo, estimou em 3.800 os manifestantes em nível nacional, concentrados - segundo afirmou - em Pichincha e suas províncias vizinhas de Cotopaxi (sul) e Imbabura (norte).

Não houve nem presos, nem feridos durante as manifestações, destacou.

- Protesto contundente -

Militares também mantêm "sob controle" áreas estratégicas como a petroleira, segundo o ministro da Defesa, Luis Lara.

O petróleo é o principal produto de exportação do Equador e em outras ocasiões a infraestrutura hidrocarbônica foi afetada por protestos dos povos originários.

A opositora Conaie protesta contra o que considera altos preços de combustíveis, a falta de emprego, o controle de preços de produtos agrícolas, e a entrega de concessões de minério em territórios nativos.

Um dos focos das reivindicações foi localizado na Pan-americana Sul, na altura do povoado de San Juan de Pastocalle.

"Esperamos que o governo dê ouvidos as estas petições que temos porque estamos morrendo de fome", declarou à AFP Janet Llanos, uma camponesa que se concentrou ali.

Lasso, um ex-banqueiro de direita que assumiu o cargo há um ano, alertou no domingo que não permitirá o bloqueio de rodovias, nem a tomada de poços de petróleo na Amazônia para proteger a reativação da economia, castigada pela pandemia de covid-19.

Nesta segunda, o chefe de Estado destacou nessa mesma rede social: "Não vamos permitir que o país pare" como aconteceu nos protestos indígenas de 2019 e 2021.

- "Vandalismo não" -

Entre maio de 2020 e outubro de 2021, os preços dos combustíveis eram revistos mensalmente, razão pela qual o galão de 3,78 litros de diesel quase dobrou (de 1 a 1,90 dólar) e da gasolina comum subiu 46% (de US$ 1,75 a 2,55).

Em outubro passado, Lasso aumentou o preço dos combustíveis antes de congelá-los, atiçando o descontentamento dos indígenas, que compõem ao menos um milhão dos 17,7 milhões de equatorianos.

A Conaie, que manteve vários diálogos infrutíferos com o Executivo, pede que os preços diminuam a US$ 1,50 para o diesel e a US$ 2,10 para a gasolina de 85 octananagem.

Essa organização participou em revoltas que depuseram três presidentes entre 1997 e 2005.

O governo Lasso se mostra aberto ao diálogo, mas ao ser consultado pela AFP Iza desconsiderou uma nova rodada de discussões.

"Já dialogamos três vezes. Não acho que a mobilização seja para um diálogo, a mobilização é ter respostas concretas", disse em Pastocalle.

Depois, informou pelo Twitter que entregaram ao governo e de "maneira formal" na Presidência "as 10 demandas e propostas que esperam resposta".

Carrillo declarou que por trás dos protestos está uma "minoria que bajo interesses absolutamente populistas ha pretendido caotizar el país".

"Manifestações pacíficas sim, vandalismo não. Bloqueio de vias tampouco", manifestou Jiménez.

A Conaie liderou em 2019 manifestações violentas que deixaram 11 mortos. Então, o grupo obrigou o ex-presidente Lenín Moreno a voltar atrás em um plano para eliminar subsídios milionários dos combustíveis.

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