Indígenas tomam central elétrica em protesto no Equador

Centenas de indígenas ocuparam à força uma central elétrica no sul do Equador como parte dos protestos contra o governo pelo aumento dos custos de vida, que já duram onze dias, informou o governo nesta quinta-feira (23).

“Entraram aproximadamente 300 pessoas de várias comunidades indígenas e camponesas nas instalações da subestação elétrica Tisaleo”, na província de Tungurahua (sul), disse o ministro de Energia e Minas, Xavier Vera, em entrevista à rádio Platinum.

A tomada ocorreu na noite de quarta-feira, “a princípio de forma pacífica”, mas depois “os operadores foram raptados” por se recusarem a suspender o serviço de eletricidade, acrescentou.

No entanto, a usina conseguiu manter o fluxo elétrico em um ataque que poderia ter afetado a cidade de Guayaquil. Vera não especificou se a central seguia ocupada.

"Isso não é trivial, isso não é aleatório. Acredito que há um trabalho macabro de inteligência porque essa subestação é essencial", denunciou o chefe da pasta.

Enquanto isso, cerca de 10.000 indígenas que vieram de seus territórios protestam dia e noite em diferentes partes de Quito com uma série de reivindicações sobre o alto custo de vida.

As mobilizações, em sua maioria pacíficas, deixaram três mortos, 92 feridos e 94 detidos desde 13 de junho, segundo a Aliança de Organizações pelos Direitos Humanos.

A polícia, por sua vez, afirma que durante a revolta 117 agentes ficaram feridos e 28 foram detidos e posteriormente liberados.

Nesta quinta-feira, há novas convocações de protestos para exigir que o governo reduza os preços dos combustíveis, ajude com créditos nos bancos privados, entre outras medidas.

Em uma economia dolarizada onde os combustíveis são subsidiados, o aumento da gasolina elevou o custo dos fretes. Os indígenas alegam que seus produtos agrícolas estão gerando apenas prejuízos.

Mas a pressão não abalou o presidente conservador Guillermo Lasso, que considera as reivindicações inviáveis.

Afetado e isolado por uma recente infecção de covid-19, o presidente se recusa a ceder às condições que os indígenas impõem para se sentar e negociar.

Entre elas, está a revogação do estado de exceção sob o qual estão seis das 24 províncias e a capital, com um robusto destacamento militar e toques de recolher noturnos.

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