Indígenas do Vale do Javari protestam contra Bolsonaro e em defesa de Bruno e Dom

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ATALAIA DO NORTE, AM, 13.06.2022 - PROTESTO-AM: Indígenas fazem protesto em defesa de suas etnias e seus territórios e em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, que estão desaparecidos há cerca de uma semana. As buscas pelos dois homens acontecem na região do Vale do Javari, no estado do Amazonas, com participação das forças militares, como Exército e Marinha, Polícia Federal, Polícia Militar, bombeiros e Defesa Civil, além da Funai e organizações indígenas. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
ATALAIA DO NORTE, AM, 13.06.2022 - PROTESTO-AM: Indígenas fazem protesto em defesa de suas etnias e seus territórios e em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, que estão desaparecidos há cerca de uma semana. As buscas pelos dois homens acontecem na região do Vale do Javari, no estado do Amazonas, com participação das forças militares, como Exército e Marinha, Polícia Federal, Polícia Militar, bombeiros e Defesa Civil, além da Funai e organizações indígenas. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

ATALAIA DO NORTE, AM (FOLHAPRESS) - No mesmo instante em que policiais federais saíam para mais um dia de busca no rio Itaquaí, indígenas da região do Vale do Javari fizeram uma manifestação contra o governo Jair Bolsonaro (PL), contra as invasões à terra indígena e em defesa do trabalho feito pelo indigenista Bruno Pereira e pelo jornalista Dom Phillips.

Os dois estão desaparecidos desde o dia 5, após uma incursão pelo rio nas proximidades da terra indígena, a segunda maior do Brasil.

No último domingo (12), bombeiros militares encontraram pertences de Pereira e Phillips, afundados num igapó -uma região de mata alagada por água, na margem do rio- entre as comunidades ribeirinhas Cachoeira e São Gabriel. O material foi recolhido pela PF, que pericia o material.

As equipes policiais saíram logo cedo para as buscas na área isolada onde foram encontrados os pertences. Indígenas são os principais responsáveis por essas buscas desde o início. Foram eles que identificaram a área que passou a ser periciada por policiais, cujo resultado principal até agora foi a localização de roupas, mochila e documento da dupla desaparecida.

Enquanto saía a equipe da PF, cerca de 200 indígenas davam início a um protesto pelas ruas de Atalaia do Norte, até o palco numa praça da cidade.

A manifestação foi organizada pela Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), que representa sete etnias e defende os indígenas isolados que estão no território.

Entre as etnias que vivem no Vale do Javari estão os povos Mayoruna/Matsés, Matis, Marubo, Kulina Pano, Kanamari e dois pequenos grupos: um de indígenas Korubo e outro de Tsohom Dyapá.

O protesto foi contra o governo Bolsonaro, contra a falta de fiscalização da atuação de invasores e uma forma de manifestação da indignação com o desaparecimento de Pereira e Phillips.

O indigenista é servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio) e atuava, pela Univaja, em defesa da terra indígena.

Uma das suspeitas da PF é de que o desaparecimento esteja relacionado à atuação de pescadores ilegais na região. O único suspeito preso, Amarildo Oliveira, o Pelado, é um morador da comunidade São Gabriel. O local onde foram encontrados os pertences do indigenista e do jornalista fica próximo à comunidade, onde vivem pescadores e pequenos agricultores.

As faixas carregadas pelas ruas de Atalaia traziam frases contra o governo Bolsonaro, com questionamentos sobre o paradeiro de Pereira e Phillips e em defesa do território indígena.

Quando questionado sobre o desaparecimento do indigenista e do jornalista, Bolsonaro chamou de "aventura" o trabalho feito pelos dois.

"Bruno lutou pelo Vale do Javari. Agora o Vale do Javari luta por Bruno, Dom e Maxciel", dizia uma das principais faixas da manifestação. Maxciel dos Santos era funcionário da Funai e foi executado na região em 2019. A suspeita é de que a morte teve relação com a atuação do funcionário contra invasões à terra indígena.

Ao som de gritos de homens e mulheres, indígenas com flechas entraram no prédio da Funai como forma de protesto.

"Querem acabar com nossos pirarucus e tracajás, e Bruno nos defendia", disse a cacique Sandra Mayouruna, em sua língua, no palco na praça, ponto final da manifestação. "Bolsonaro tem raiva dos povos indígenas, e ele deveria ser presidente de todos os brasileiros."

O cacique Binan Wasá afirmou que o território indígena é ameaçado por invasores, especialmente pescadores e caçadores. "Acabaram com a região ao redor, e querem acabar com nosso território."

Ele criticou o presidente: "Bolsonaro acredita em Deus, em Bíblia. Mas Deus não pensa em mal. Um Deus bom construiu os recursos naturais. Se ele crê, deveria estar cuidando."

A liderança Koká Matis disse que o protesto é "em homenagem a um grande guerreiro", um "defensor da terra indígena Vale do Javari", numa referência a Pereira. "Somos guerreiros e vamos continuar lutando para defender nosso território."

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