Indústria de óleo e gás tem muito a contribuir para descarbonização

A guerra na Ucrânia reacendeu debates em torno da segurança energética diante dos desdobramentos geopolíticos e dos possíveis impactos no suprimento de petróleo e gás natural para a Europa.

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O tema passou a ser fundamental, mas não é o único que ganha expressão. Empresas do setor têm potencial para contribuir na descarbonização com sua expertise técnica, além da mobilização de consideráveis recursos financeiros.

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Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA na sigla em inglês), 50% das reduções necessárias para zerar as emissões em 2050 virão de tecnologias ainda em desenvolvimento. A expansão das tecnologias e a diminuição de seus custos dependerão de recursos, projetos e das expertises das empresas do setor de óleo e gás.

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Uma frente promissora é a energia renovável offshore, que exige investimentos e conhecimentos técnicos específicos. Entre as alternativas, estão as eólicas offshore, a energia dos oceanos, que inclui a energia das ondas e das marés, e as usinas fotovoltaicas flutuantes.

Nesse sentido, a construção de um ambiente offshore competitivo em carbono passa pelo desenvolvimento tecnológico pavimentado com grande contribuição da indústria de óleo e gás.

O Plano Decenal de Expansão 2031 (PDE) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identifica que “a expertise do setor petrolífero na instalação de estruturas, logística e operações no ambiente marinho poderá beneficiar o desenvolvimento da eólica offshore”. O Plano Nacional de Energia 2050 aponta que, mesmo que haja redução de 20% no investimento de geração de energia elétrica por eólicas offshore, teremos uma capacidade instalada de 16 GW até 2050, o que mostra a relevância dessa fonte.

Dados de 2020 da Agência Internacional de Energia Renovável indicam uma capacidade instalada de 2,6 GW nas usinas fotovoltaicas flutuantes. Países como China, Japão e Coreia do Sul estão em estágio mais avançado. Mas o Brasil tem potencial em razão de sua bacia hidrográfica extensa e das usinas hidrelétricas com grandes reservatórios.

Outra frente com conexão com o setor de óleo e gás é o hidrogênio, que ainda apresenta desafios em relação aos custos e ao armazenamento. O Brasil já projeta o hidrogênio numa visão de médio e longo prazo. A EPE estima produção de 1.850 megatoneladas/ano no horizonte de 2050 e aponta seu uso como parte da estratégia nacional para a descarbonização.

A captura e uso de CO2 (CCUS) será relevante para compensação e redução de emissões. O Brasil tem um exemplo importante com o programa de CCUS da Petrobras nos campos do pré-sal. Usinas de gás natural também serão importantes na captura de CO2, em razão da separação entre os dois gases e o CO2 capturado, que pode ser usado na produção de combustíveis sintéticos ou de hidrogênio de baixo carbono.

O papel do setor de óleo e gás na transição das matrizes de energia irá além da garantia da segurança energética. Sua tradição em inovar, gerar conhecimento e tecnologias será chave para o desenvolvimento de novas soluções.

*Fernanda Delgado é diretora executiva corporativa do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás

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