Indústria recua pelo 3º mês seguido, com falta de peças e matérias-primas mais caras

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RIO - A produção industrial caiu 0,7% em agosto na comparação com o mês anterior. Foi a terceira queda seguida, o que levou o setor a ficar 2,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, antes da pandemia. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira pelo IBGE.

O novo recuo se deve a uma mistura de fatores. Por um lado, a pandemia desorganizou a cadeia produtiva, levando à falta de componentes e ao encarecimento das matérias-primas usadas pelas fábricas. Com isso, muitas empresas não conseguem cumprir as encomendas.

“Isso vem trazendo, pelo lado da oferta, maior dificuldade para o avanço do setor”, diz o gerente da pesquisa, André Macedo.

No mês passado, por exemplo, a Volkswagen coloca 800 funcionários em férias coletivas em Taubaté, devido à falta de semicondutores, repetindo decisão que já havia sido tomada em agosto e em junho.

Por outro lado, a demanda por produtos industriais não avança de forma sustentável. Com o desemprego ainda elevado e redução do rendimento, o ritmo do consumo está lento. Isso é agravado pelo aumento da inflação, que corrói a renda das famílias.

“Há um contingente importante de trabalhadores fora do mercado de trabalho e os postos que são gerados têm salários menores, ou seja, há uma precarização das condições de emprego ”, afirma Macedo.

Em 15 dos 26 ramos industriais investigados houve queda de produção. A retração foi puxada, principalmente, por outros produtos químicos (-6,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,3%).

Segundo Macedo, as quedas de químicos e de veículos estão relacionadas a paralisações de indústrias. Já a de petróleo e derivados representa uma acomodação.

Nos três meses anteriores, esse segmento havia apresentado alta, devido ao aumento da mobilidade - com a flexibilização das restrições sanitárias -, o que aumentou a demanda por combustíveis.

Outras atividades que impactaram negativamente a produção industrial foram as de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,0%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios.

Os dois segmentos que mais se destacaram, com aumento de produção foram produtos alimentícios (2,1%) e bebidas (7,6%). Ainda assim, Macedo não vê no crescimento sinais de forte recuperação:

"O resultado positivo no mês de agosto é mais um grau de recomposição das perdas anteriores do que uma trajetória positiva que esses segmentos industriais venham a ter”.

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