Indefinição nacional complica alianças para Governo do RJ

ANA LUIZA ALBUQUERQUE E CATIA SEABRA
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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A escassez de líderes locais e a indefinição do cenário eleitoral nacional têm embaralhado as alianças para as candidaturas ao Governo do Rio de Janeiro em 2022. Da esquerda à direita, são muitas as conversas, mas sem caráter conclusivo. Políticos avaliam que a disputa nacional será fundamental na escolha dos candidatos, diante da necessidade de garantir palanques nos estados. Não é possível prever, por exemplo, se haverá recuperação da economia em um cenário pós-pandemia e como estará a avaliação de Jair Bolsonaro no próximo ano. Praticamente enterrada a chance de voltar ao PSL, partido pelo qual se elegeu, o presidente tem como opção três nanicos: Patriotas, PMB e DC. Também não se sabe quem concorrerá à Presidência pelo PSDB. Para sustentar a campanha no Rio, é possível que o partido lance candidato ao governo fluminense. Já as rusgas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidenciável Ciro Gomes (PDT) dificultam os planos de um palanque duplo imaginado para a candidatura do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) ao governo. Especialmente se permanecer no PSOL. Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi lança dúvidas sobre a viabilidade desse palanque duplo. Acha que existe a possibilidade de os dois chegarem ao segundo turno, o que ampliaria a rivalidade. "O PDT não abre mão do projeto nacional, que é Ciro Gomes." Os petistas também rechaçam a hipótese de compartilhar o palanque de Freixo com Ciro e admitem a ideia de lançar candidatura própria para estruturação da candidatura de Lula no Rio. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano, pode ser recrutado para a tarefa. "Sou candidato a deputado estadual." Para além das incertezas no campo nacional, o Rio de Janeiro vive um cenário de terra arrasada ""seis governadores chegaram a ser presos ou foram afastados. Com a cúpula da política local fora de jogo após a Operação Lava Jato, o estado enfrenta uma escassez de líderes. Alçado ao governo interino no ano passado com o afastamento de Wilson Witzel (PSC), acusado de corrupção, Cláudio Castro (PSC) tornou-se naturalmente um nome para 2022. Contam a seu favor a pesada máquina estatal e o apoio da família Bolsonaro, fiadora de sua administração. Além disso, sua candidatura não pararia a fila pelo Palácio Guanabara. Governador hoje, só poderia ter um novo mandato de quatro anos. Castro é visto pelos pares como um político moderado, propenso ao diálogo, e com bom trânsito na Assembleia Legislativa do Rio. Ele tem conversado com prefeitos da Baixada Fluminense e sinalizado que gostaria de tê-los na chapa majoritária. Prefeito de Belford Roxo, Waguinho (MDB) diz que o sonho de Castro é ser eleito nas urnas. "O desejo dele é ser um governador da urna, e ele entende que a maior força de votação está na Baixada. Somos mais de 4 milhões de votos". Se o governador interino tem a seu favor a máquina estatal, por outro lado sua candidatura depende da avaliação de sua administração. "Ele tem uma tarefa na mão que não é fácil, governar o estado do Rio. Tem de ter entrega, não dá para ficar todo verão com a água da Cedae estragada", diz o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP). Por enquanto, Castro é o candidato de Bolsonaro. Mas nada impede que o presidente mude de ideia até o ano que vem, diante do desempenho do interino e dos adversários. Um nome do campo conservador que surgiu até mesmo em pesquisas eleitorais foi o do ministro Walter Braga Netto (Defesa), comandante da intervenção federal na segurança pública do Rio em 2018. Dos deputados federais e estaduais eleitos na onda bolsonarista de 2018, nenhum desenvolveu musculatura para se cacifar como potencial candidato. Já Marcelo Freixo, principal nome aventado no estado como resistência ao projeto bolsonarista e veterano de eleições na capital, foi colocado em uma sinuca de bico com a volta de Lula ao xadrez eleitoral. Em direção ao centro, considerava migrar para o PDT e apoiar a candidatura de Ciro, que também se afasta da esquerda. O presidenciável tem feito duras críticas ao PT e a Lula, de quem foi ministro. Freixo tem proximidade com o petista, com quem divide eleitores no estado. Portanto, não seria estratégico para ele estar em um palanque crítico ao ex-presidente. Chamando o Rio de berço do caos, Freixo insiste na reunião dos partidos de centro-esquerda contra a reeleição de Bolsonaro em seu reduto eleitoral. Ele minimiza o impacto da volta de Lula à cena política. Acha que a necessidade de derrotar Bolsonaro é maior do que as diferenças entre PT e PDT. "Defendo um palanque de todas as forças que queiram enfrentar o crime no Rio, garantir a democracia e derrotar Bolsonaro", afirma Com a situação indefinida, petistas e pedetistas também têm pensado em candidaturas próprias. Além de André Ceciliano, o PT cogita o lançamento de Fabiano Horta, prefeito de Maricá. Já o PDT tem como opção o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves.