Ex-senhor da guerra afegão retorna à cidade que destruiu há duas décadas

Kabul, 4 mai (EFE).- O antigo líder do que foi o segundo grupo insurgente afegão Hezb-e-Islami, Gulbuddin Hekmatyar, foi recebido nesta quinta-feira pelo governo no seu retorno à capital do país.

Um dos senhores da guerra que lutou contra a União Soviética (1979-1989), Hekmatyar se envolveu em uma cruel guerra civil contra outros comandantes, deixando 50 mil mortos e a capital afegã em ruínas. Hoje, em seu retorno a Kabul, ele pediu que o episódio seja esquecido durante um discurso para centenas de seguidores no palácio presidencial.

"Devemos olhar para o futuro. Não devemos levar o Afeganistão de volta à era da guerra e devemos proporcionar justiça às pessoas", disse Hekmatyar após se reunir com o presidente do país, Ashraf Ghani, sete meses depois da assinatura de um acordo de paz.

Chamado por líderes políticos de diferentes partidos pelo apelido de "açougueiro de Kabul", Hekmatyar afirmou que o atual governo do Afeganistão não está em posição de perseguir os crimes de guerra. Ele e seus homens são acusados de cometer crimes contra a humanidade durante os conflitos dos anos 1990.

Além disso, o ex-senhor de guerra disse que o sistema parlamentar não é o apropriado para a atual situação do Afeganistão e que Ghani deveria ser retirado do cargo, assim como o atual chefe de governo e candidato derrotado nas eleições de 2014, Abdullah Abdullah.

Apesar das críticas, o ex-líder do Hezb-e-Islami negou ter interesses políticos e garantiu que pretende cooperar com o governo sem aceitar nenhum cargo.

No ato em Kabul, Ghani classificou como um "grande passo para a paz" a volta do ex-senhor da guerra a Kabul. Hekmatyar estava desaparecido desde a queda do regime dos talibãs em 2001.

Hekmatyar, que foi primeiro-ministro em duas ocasiões durante a década de 1990, reapareceu na semana passada no Afeganistão, sete meses depois de assinar o acordo de paz com o governo.

O pacto incluiu uma anistia pelas atividades do grupo insurgente dos últimos 15 anos, a repatriação "digna" de suas famílias e a liberdade de prisioneiros que não cometessem crimes.

O grupo do ex-senhor da guerra aceitou a atual Constituição afegã, bem como desmobilizar todas suas facções armadas. Além disso, o Hezb-e-Islami a cortar laços com grupos terroristas. EFE