Indiana Jones completa 40 anos com o Brasil na cabeça e nos preparativos para quinto filme da saga

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Foi no dia 12 de junho de 1981, há exatos 40 anos, que o mundo conheceu Indiana Jones. Naquela sexta-feira, estreava nos cinemas dos Estados Unidos “Os Caçadores da Arca Perdida”, primeiro filme da franquia criada por George Lucas e dirigida por Steven Spielberg. Na pele do destemido arqueólogo, Harrison Ford deu início a uma saga que teve ainda “O Templo da Perdição” (1984), “A Última Cruzada” (1989), “O Reino da Caveira de Cristal” (2008) e que, em julho de 2022, ganhará um quinto longa, ainda sem título definido.

Nos últimos dias, as redes sociais foram tomadas por algumas fotos que mostram Ford durante filmagens no Reino Unido. Devidamente caracterizado como Indiana Jones, o ator de 78 anos aparece utilizando uma máscara. Afinal de contas, até mesmo ícones da cultura pop devem se curvar à ciência.

Pouco se sabe ainda sobre a trama de “Indiana Jones 5”, mas é certa a ausência inédita de Steve Spielberg na cadeira de diretor – ele assina apenas como produtor executivo. Quem assume o comando do set é James Mangold, de “Ford Vs. Ferrari” e “Logan”. Por outro lado, a trilha sonora da saga permanece sob a batuta de John Williams (“Star Wars”, “Tubarão”), aos 89 anos. Já o elenco tem nomes em ascensão em Hollywood, como o dinamarquês Madds Mikkelsen (“Druk”) e Phoebe Waller Bridge (“Fleabag”).

Indiana Jones 'nasceu' no Havaí

Enquanto aguardam a divulgação de mais detalhes sobre o novo filme, resta aos fãs celebrar os 40 anos de uma saga repleta de curiosidades em sua gênese. Como, por exemplo, a primeira conversa que George Lucas e Spielberg travaram sobre “Os Caçadores da Arca Perdida”.

Lucas estava de férias no Havaí, celebrando o sucesso de bilheteria de “Star Wars IV – Uma nova esperança”, quando ouviu de Spielberg que o amigo tinha muita vontade de dirigir um filme da franquia James Bond. Lucas, então, retrucou dizendo que tinha uma ideia muito melhor para ele. Após a viagem, os dois se reuniram e desenvolveram a história de “Os Caçadores da Arca Perdida” com o roteirista Lawrence Kasdan – cujo filho, Jon Kasdan, está no time de roteiristas de “Indiana Jones 5”.

O surgimento da saga estrelada por Harrison Ford também teve participação direta na construção de pelo menos dois outros filmes de peso. Foi durante os intervalos de filmagens de “Os caçadores da arca perdida” que Spielberg e a roteirista Melissa Mathison escreveram um script que se tornaria um novo marco da cultura pop: “E.T. O extraterrestre” (1982). Com um detalhe: inicialmente, Melissa estava ali apenas para visitar o marido, Harrison Ford. Os dois foram casados até 2004 e Melissa morreu em 2015, vítima de um câncer.

O desempenho de Ford em “Os Caçadores da Arca Perdida”, por sua vez, chamou a atenção de Ridley Scott, que ainda colhia os frutos do sucesso de “Alien” (1979). De tão impressionado que ficou com o fôlego de seu Indiana Jones, o diretor convocou o ator para ser a estrela de “Blade Runner” (1982).

Ford, aliás, ali começava a empilhar no currículo personagens icônicos do cinema de ação e aventura, com Indiana Jones, Han Solo ("Star Wars") e Rick Deckard ("Blade Runner").

Os herdeiros de Indiana Jones

O début do arqueólogo ainda se tornou a maior bilheteria dos cinemas americanos naquele ano de 1981, ultrapassando US$ 248 milhões. Em todo o mundo, “Os Caçadores da Arca Perdida” arrecadou US$ 390 milhões – lembrando que o investimento inicial girou em torno de US$ 18 milhões.

Mas não foram somente os nomes diretamente envolvidos com o filme que sentiram os efeitos de seu sucesso. Quem atesta a análise é designer gráfico Igor Arume, fã inveterado da saga que em 2009 criou o fansite “Indiana Jones Brasil”. Ele destaca a personalidade única de Indiana, que está longe de ser um super-herói, tem pavor de cobras e, ao mesmo tempo que dá aulas em uma universidade, atua como um mercenário de primeira linha.

– No cinema de aventura, existe um antes e um depois de “Os Caçadores da Arca Perdida”. Foi realmente um marco neste gênero. Todos que vieram depois devem sua fórmula a ele: “As minas do Rei Salomão” (1985), com Richard Chamberlain, passando por “A múmia” (1999), com Brendan Fraser, “Piratas do Caribe” (2003), com Johnny Depp, “A lenda do tesouro perdido” (2004), com Nicolas Cage. Até mesmo séries de games, como Tomb Raider e Uncharted, bebem da fonte de Indiana Jones.

DNA brasileiro

Entre as curiosidades mais interessantes destacadas por Igor está o fato de que a gestação de Indiana Jones é anterior à de Star Wars, mas George Lucas engavetou o projeto e realizou sua ópera espacial primeiro. O personagem, aliás, inicialmente se chamaria Indiana Smith, mas Spielberg optou por Jones por ter uma sonoridade melhor.

– A matéria-prima do chapéu Fedora usado em “Os Caçadores da Arca Perdida” tinha um feltro de pêlo de lebre produzido aqui no Brasil. Ele foi fornecido para a chapelaria britânica Herbert Johnson, que fez a moldagem dos chapéus do filme – conta Igor. – O chapéu de "Caçadores" é um dos favoritos dos fãs até hoje por ter a forma mais icônica e distinta. Para os filmes seguintes, a chapelaria usou outros fornecedores de feltro e cada filme usa um chapéu ligeiramente diferente.

Sobre as expectativas em torno de “Indiana Jones 5”, ele aposta no talento do diretor James Mangold, que em “Logan”, estrelado por Hugh “Wolverine” Jackman, já provou que sabe fazer despedidas em grande estilo.

Os olhos também estão atentos à promessa de filmagens em várias locações externas em diversos países, como na região da Sicília, na Itália, e no Marrocos, além, claro do set no Reino Unido.

– Esse roteiro já é um grande avanço em relação a “O Reino da Caveira de Cristal”, de 2008, cujas filmagens com atores ocorreram apenas em locações nos EUA e dentro de estúdios, com muito uso de efeitos visuais computadorizados (CGI). Vamos torcer para que a pandemia não comprometa essas filmagens internacionais.

Para quem quiser maratonar a franquia Indiana Jones, os quatro filmes estão espalhados pelas mais diversas plataformas de streaming: Netflix, Net Now, Apple TV, Claro Video e Telecine Play.

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