Indicado de Alcolumbre toma posse na Integração de Lula com ex-bolsonaristas e oração de pastor

***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  29-12-2022, O indicado ao Ministério da Integração Nacional, Waldez Góes. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva anúncia os úlitmos nomes de ministros que compõem o primeiro escalão do governo. No CCBB. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, BRASIL, 29-12-2022, O indicado ao Ministério da Integração Nacional, Waldez Góes. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva anúncia os úlitmos nomes de ministros que compõem o primeiro escalão do governo. No CCBB. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Novo ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes (PDT) fez críticas nesta terça-feira (3) a governos anteriores e disse, ao tomar posse, que o uso de emendas parlamentares pode ser aprimorado.

"Se está errado ou questionado o método, se aprimore, evolua. Não podem é ficar ainda mais prejudicados os estados que estão em desvantagem", disse o ministro.

A cerimônia de posse foi aberta com a oração de um pastor evangélico, e contou com a participação do ex-senador Romero Jucá (MDB-RR), que trabalhou pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, e ex-bolsonaristas, como o deputado Julian Lemos (União Brasil-PB), além de membros do governo Lula.

Ex-governador do Amapá, Góes foi indicado ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo União Brasil, uma das legendas que controlaram na gestão Jair Bolsonaro (PL) a distribuição da verba das emendas.

A cerimônia de posse no ministério também foi acompanhada por lideranças do partido, como o senador Davi Alcolumbre (AP), um fiador da ida de Góes ao governo, e o presidente da legenda, o deputado Luciano Bivar (PE).

"Tem crítica? Tem. É preciso aprimorar a metodologia. Agora, precisa de orçamento e financeiro maiores para estados em desvantagem, senão a gente não corrige desigualdades regionais", disse Góes à imprensa sobre o uso das emendas.

O novo ministro disse, no discurso, que o Brasil foi "desgovernado nos últimos anos", sem citar o ex-presidente Bolsonaro. "Conquistas que alcançamos nos governos Lula sofreram retrocessos nos anos recentes. Indicadores de desenvolvimento humano caíram a níveis que nos envergonham", afirmou ainda.

A pasta agora comandada por Góes foi criada a partir do desmembramento do Ministério do Desenvolvimento Regional, que teve outra parte de sua estrutura transformada no Ministério das Cidades, comandado por Jader Filho (MDB-PA).

Góes disse que faltam recursos ao ministério, e que a Operação Carro-Pipa no Nordeste tem verba até 20 de janeiro. "É um ponto de alerta, a gente está dialogando com o gabinete [da Casa] Civil", disse o ministro. Ele afirmou que será preciso obter recurso extraordinário para bancar o programa.

O ministro não respondeu se irá mudar o comando da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). Como mostrou a Folha, a estatal foi entregue por Bolsonaro ao centrão, mudou de foco, e passou a investir em pavimentações e na entrega de maquinário para escoar verbas de emendas parlamentares.

Atual presidente da estatal, nomeado na gestão Bolsonaro, o engenheiro Marcelo Moreira acompanhou a posse de Góes e cumprimentou e abraçou o novo ministro em mais de uma ocasião.

Questionado sobre a gestão da Codevasf, Góes defendeu a empresa pública e outros órgãos vinculados ao ministério.

"Vou trabalhar com todas, inclusive com a Codevasf. Todas as revisões que precisarem ser feitas na modelagem, vamos encarar isso, mas não é bom abrir mãos dos instrumentos existentes", disse o ministro.

Como mostrou a Folha, documentos mostram que o senador Alcolumbre direcionou verbas da Codevasf para a empreiteira Engefort, alvo de investigações, responsável pelo uso de empresa de fachada em licitações federais e campeã em contratos de pavimentação no governo Bolsonaro. Em nota, o senador negou a interferência.

O gabinete de transição da gestão Lula também concluiu que a pasta do Desenvolvimento Regional perdeu o foco e deixou de observar prioridades regionais ao aplicar verbas de emendas. Parte do grupo técnico, porém, ficou descontente com a escolha de um indicado do União Brasil à pasta, por avaliar que a legenda era uma colaborada da gestão de Bolsonaro.