Indígenas Yanomami desaparecidos são localizados, afirma liderança

Comunidade Aracaçá, na terra indígena Yanomami em Roraima, de onde indígenas desapareceram (Foto: Reprodução/Twitter Júnior Hekurari Yanomami)
Comunidade Aracaçá, na terra indígena Yanomami em Roraima, de onde indígenas desapareceram (Foto: Reprodução/Twitter Júnior Hekurari Yanomami)
  • Indígenas estavam longe de sua comunidade

  • Informações são de presidente do Condisi

  • Eles despareceram de comunidade Yanomami onde menina foi estuprada por garimpeiros

Os 25 indígenas que desapareceram na região de Aracaçá, na Terra Indígena Yanomami, foram encontrados, afirmou o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi), Júnior Hekurari Yanomami. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Os indígenas estavam desaparecidos desde a última semana de abril. O caso foi denunciado pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana (Condisi-YY), durante uma visita à comunidade, acompanhado pela Polícia Federal.

Júnior Hekurari relata que os indígenas foram localizados longe de Aracaçá e que alguns estavam acompanhados de garimpeiros.

Na comunidade onde eles viviam, encontrada queimada e vazia, ocorriam investigações sobre o estupro e morte de uma menina de 12 anos. Uma outra criança de 3 anos teria caído num rio e desaparecido, segundo Condisi-YY que esteve no local.

Desde então, celebridades, políticos e influenciadores postaram em suas redes sociais a tag “Cadê os Yanomami”, em referência ao ocorrido. Entidades como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) organizam as postagens e campanhas para pressionar por justiça para a comunidade Yanomami.

No dia 25 de abril, Júnior Hekurari Yanomami, presidente do grupo, publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que recebeu relatos das violências, praticadas por garimpeiros ilegais que invadiram o território na região de Waikás.

CCJ da Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça (3) a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a situação dos povos indígenas Yanomami.

O grupo deverá acompanhar, fazer diligências e propor providências para reverter a situação de violências e violações de direitos a que estão sendo submetidas crianças, adolescentes e mulheres da comunidade Aracaçá.

STF

Na última quinta (28), os ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), falaram sobre o episódio na sessão da Corte. Ela cobrou uma apuração rigorosa a respeito do estupro e morte da adolescente de 12 anos e afirmou que as mulheres indígenas são “massacradas”.

“As mulheres indígenas são massacradas sem que a sociedade e o Estado tomem as providências eficientes para que se chegue à era dos direitos humanos para todos, não como privilégio de parte da sociedade. Não é mais pensável qualquer espécie de parcimônia, tolerância, atraso ou omissão em relação à prática de crimes tão cruéis e graves”, argumentou.

Presidente do Supremo, Fux disse que o fato é “gravíssimo”, sugerindo medidas locais para que não se repitam situações como esta, “que destroem o trabalho que temos feito de combate ao feminicídio, de proteção às mulheres”.

Episódios de violência sexual não são isolados

A Hutukara Associação Yanomami, que reúne povos indígenas da Terra Indígena Yanomami, divulgou nota sobre a apuração do caso do assassinato ocorrido na comunidade. Segundo o relatório Yanomami Sob Ataque, os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes indígenas não são isolados.

Moradores do Rio Apuí, também no estado de Roraima, ​​relataram situações de abuso sexual de mulheres indígenas. Garimpeiros que trabalham na região teriam oferecido “drogas e bebidas aos indígenas”, e uma criança da comunidade foi estuprada.

Em outubro do ano passado, ainda de acordo com o documento, duas crianças da comunidade Macuxi Yano morreram afogadas enquanto brincavam na praia em frente às suas casas, após serem derrubadas e tragadas pela correnteza gerada por uma draga garimpeira que operava a poucos metros da comunidade.

Em maio do mesmo ano, outras crianças morreram afogadas na tentativa de fuga de tiros por parte de garimpeiros que invadiram a região do Paliamu, no Norte do estado.

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