'Se eu demarcar agora, o fogo na Amazônia acaba em minutos', diz Bolsonaro

Bolsonaro afirmou que há a indústria da demarcação das terras indígenas no País e que seria impulsionada por interesses estrangeiros. (Foto: Marcos Correa/PR)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Presidente acusou a ‘indústria da demarcação das terras indígenas’ de impedir o progresso do País

  • Emmanuel Macron voltou a ser alvo dos ataques do presidente e de governadores

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) acusou a existência no Brasil do que chamou de “indústria da demarcação de terras indígenas” e sugeriu que interesses estrangeiros querem afetar a soberania nacional do País e limitar sua produção.

As falas de Bolsonaro aconteceram durante uma reunião com governadores de 9 estados que integram a Amazônia Legal, realizada na manhã desta terça-feira (27), e transmitida em uma live em seu Facebook.

“A indústria da demarcação de terras indígenas no Brasil ocorreu após o governo Sarney. Essa indústria da demarcação teve o marco em 1992, com a portaria de nomeação da terra indígena Yanomami. (...) Se eu demarcar agora, o fogo na Amazônia acaba em alguns minutos. (...) Estamos aqui para decidir o futuro da Amazônia com responsabilidade”, afirmou o presidente.

Na reunião, o presidente acusou - sem apontar quais - países estrangeiros de promover e patrocinar ONGs e incentivar a demarcação de terras indígenas, áreas quilombolas e de proteção ambiental visando apenas desestruturar o agronegócio brasileiro.

“Essas áreas quilombolas, reservas indígenas e de proteção ambiental estão matando o agronegócio. (...) Eles (países estrangeiros) querem a insolvência do Brasil e vamos ter que enfrentar isso de qualquer maneira”, pontuou Bolsonaro.

A retórica do presidente de que tais áreas de proteção travam o desenvolvimento do país foi repetida durante as falas dos governadores, que procuravam enumerar quantas áreas demarcadas haviam em seus respectivos estados e qual a proporção ocupada por elas do total do território estadual.

No intervalo de cada fala, Bolsonaro procurou fazer uma intervenção. Em uma delas, destacou o “aspecto estratégico” de reservas indígenas. “Vemos que tem um aspecto estratégico das reservas e alguém programou isso. Uma das intenções (destas reservas) é nos inviabilizar. Índio não faz lobby”, sugerindo uma influência estrangeira.

Evento reuniu governadores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. (Foto: Marcos Correa/PR)

MACRON DE VOLTA AO ALVO

O nome do presidente francês Emmanuel Macron não foi citado por Bolsonaro, que somente pontuou ‘ter algo contra’ quando se referiu à ajuda financeira oferecida pelo G-7 para o combate nas queimadas da Amazônia. “Nós não temos nada contra o G-7. Nós temos contra um único presidente do G-7 que sabemos qual sua intenção e por que disso”, afirmou Bolsonaro.

O nome de Macron saiu da boca do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), que o acusou de “surfar nas cinza da Amazônia para criar barreiras e proteger seus produtores rurais.

Já o governador Helder Barbalho (MDB), do Pará, pediu que o nome de Macron fosse esquecido e que os esforços fossem concentrados na solução dos problemas da Amazônia.