Inep colocará técnicos para avaliar pedido de ministro para ver prova do Enem

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BRAZIL - 2021/05/18: In this photo illustration the homepage of the Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) website is displayed on the computer screen. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
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  • Milton Ribeiro, ministro da Educação, quer evitar ‘questões ideológicas’

  • Inep passa por crises internas e é criticado por falta de autonomia

  • Presidente do órgão defende ministro

Danilo Dupas, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), declarou que uma equipe técnica irá avaliar o pedido do ministro da Educação Milton Ribeiro de acessar previamente a prova do Enem.

O ministro deu declarações sobre a prova em entrevista à emissora CNN Brasil na quarta-feira passada (2), afirmando que quer evitar “questões de cunho ideológico”.

"A influência não é ideológica. Nós sabemos que, muitas vezes, havia perguntas objetivas ou até mesmo com cunho ideológico. Nós não queremos isso. Queremos provas técnicas. [...] As questões mais subjetivas nós não vamos tirá-las de tudo", afirmou o ministro à emissora.

Para exemplificar, Ribeiro citou uma questão do Enem 2018 que tratava da população trans.

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"Há um ou dois atrás, por exemplo, havia perguntas como vestimenta de travestis que, naturalmente, grande maioria do povo desconhecia. São ideologias próprias, com todo respeito à orientação de cada um. No entanto, não é tema comum de conhecimento, não se aprende na escola essas coisas.", disse o ministro.

Uma sessão da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados foi convocada pelo deputado Idilvan Alencar (PDT-CE) para tratar da importância e do fortalecimento do Inep, que passar por uma crise interna. A autarquia já teve quatro presidentes desde o começo do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e há críticas em relação a falta de autonomia e nomeações ideológicas.

"Estava na sala durante a entrevista e ele expôs um desejo do líder máximo da educação em ter conhecimento prévio da prova. Durante a fala dele, ele deixou claro que a equipe irá analisar", contou Dupas durante sessão.

O atual presidente defendeu o ministro, e afirmou que o objetivo de Ribeiro é “resguardar que a prova seja técnica”.

O presidente da autarquia também endereçou questões sobre a isenção de taxa de inscrição da prova. Os participantes que não precisaram pagar a taxa para a edição de 2020, mas não compareceram por medo da pandemia, não tem direito à isenção na edição deste ano.

A regra sofre pressões e há inclusive um projeto de lei para mudá-la. Mesmo assim, Dupas diz que não será mudada. "Ele é validado pela Procuradoria Federal e o regulamento se mantém", afirmou.

Na audiência estavam presentes quatro ex-presidentes do Inep e deram declarações em defesa da autônima da entidade, e enfatizaram sua relevância na Educação do país e na promoção de políticas públicas.

"O Inep pode ter o monopólio dos dados, mas não pode querer ter o monopólio da interpretação desses dados", declarou o economista Reynaldo Fernandes, que presidiu o Inep de 2005 a 2009.

A ex-presidente do Inep, Maria Inês Fini, também criticou o "filtro ideológico" que deve ser feito nas questões do Enem e considerou o processo como "desnecessário".

"Longe de mim dizer que os técnicos que o senhor [Danilo Dupas] recruta não tenham formação técnica, pelo contrário devem ter e muitas. Mas queria que eles tivessem formação na área de estatística e de avaliação tanto da Educação Básica, como Superior, para todos os comitês", disse.

Dupas se defendeu e afirmou que sua gesão é “altamente técnica” e prioriza a “valorização do Inep”.