Infecção de Macron por Covid-19 empurra líderes políticos ao isolamento

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da França, Emmanuel Macron, 42, recebeu diagnóstico de Covid-19 nesta quinta-feira (17) e deve governar o país de forma remota até pelo menos a véspera de Natal. A preocupação de outros chefes de Estado, entretanto, principalmente nos países europeus, é que o líder francês possa ter contraído ou transmitido o coronavírus em alguns dos vários encontros que teve com autoridades nos últimos dez dias. O principal deles foi a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, nos dias 10 e 11 de dezembro, à qual compareceram representantes de quase todos os 27 países-membros da União Europeia. As exceções foram os primeiro-ministros da Croácia, Andrej Plenkovic, 50, e da Estônia, Juri Ratas, 42. Plenkovic recebeu diagnóstico de Covid-19 em 30 de novembro e ainda estava isolado em casa na data da reunião. Ratas, por sua vez, teve teste negativo para a doença, mas também estava em isolamento depois de ter tido contato com uma pessoa infectada. Os países europeus chegaram a importantes resultados na reunião, como o desbloqueio orçamentário após um acordo com Polônia e Hungria, mas após o anúncio do diagnóstico de Macron, alguns de seus líderes e representantes correram para o autoisolamento e fizeram novos testes -ou divulgaram o resultado de exames recentes. Um dos primeiros a se isolar foi o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, 44. O belga esteve na reunião em Bruxelas e também se encontrou pessoalmente com Macron, em Paris, na última segunda-feira (14), na cerimônia do 60º aniversário da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No dia seguinte, de acordo com um porta-voz, foi submetido a um teste de detecção do coronavírus e o resultado foi negativo. Entretanto, por precaução, Michel decidiu se isolar a partir desta quinta-feira. No Twitter, o belga desejou uma recuperação rápida ao presidente francês. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, 48, cancelou toda sua agenda pública e disse que ficará em isolamento até a véspera de Natal, data em que se completam dez dias de seu último contato com Macron, em Paris -o espanhol também esteve no aniversário da OCDE. Imagens da chegada de Sánchez ao evento mostram o presidente francês lhe dando boas-vindas, mas ambos estavam com máscaras. Segundo comunicado do governo, o espanhol foi submetido a um novo teste e o resultado deve sair nas próximas horas. O secretário-geral da OCDE, o mexicano José Ángel Gurría, 70, anunciou em seu perfil no Twitter que está "seguindo protocolos médicos de quarentena e testagem, e que o órgão está adotando medidas para "garantir o bem-estar de todos os convidados e funcionários" que participaram da cerimônia de aniversário em Paris. Gurría e Macron usavam máscaras de proteção, de acordo com imagens do encontro, mas os dois também foram vistos dando um aperto de mãos. "Envio todo o meu apoio e votos de uma rápida recuperação para Emmanuel Macron. Meus pensamentos também estão com sua família e com os franceses neste momento difícil", disse o mexicano nas redes sociais. Entre as lideranças europeias, a que teve contato mais recente com Macron foi o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, 59. O português esteve no Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, nesta quarta-feira (16), horas antes do anúncio do diagnóstico de Covid-19 dado a Macron. Segundo o governo português, os dois líderes conversaram sobre a liderança de Portugal no Conselho Europeu a partir de janeiro. Imagens do encontro mostram Macron e Costa lado a lado, mas sem contato físico. O premiê português cancelou viagens oficiais e aguarda o resultado de um teste de Covid-19 feito na manhã desta quinta. Segundo o governo, ele não apresenta sintomas e deve manter atividades executivas remotamente. "Em virtude da confirmação do teste positivo do presidente francês, Emmanuel Macron, com quem estive ontem no Palácio do Eliseu, estou em isolamento profilático preventivo até avaliação do grau de risco por parte das autoridades de saúde", escreveu Costa, no Twitter. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, 66, foi submetida a um teste de rotina logo após a cúpula da União Europeia na semana passada, e o resultado foi negativo. "A chanceler envia ao presidente francês seus melhores votos de uma recuperação rápida", disse uma porta-voz de Merkel. Destoando de outras lideranças, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, 62, "não tem planos de autoisolamento", segundo um porta-voz. Ela esteve com Macron nos últimos dias, mas não foi considerada um "contato próximo" pelas autoridades francesas. Nas redes sociais, a alemã expressou seus votos de melhoras ao presidente e disse que está "totalmente" com Macron. "Esta pandemia, vamos derrotá-la juntos. Continuaremos a trabalhar de mãos dadas para imunizar e proteger nossos cidadãos." Nos círculos mais próximos do presidente francês, medidas de prevenção também foram reforçadas. A primeira-dama, Brigitte Macron, 67, ficará em autoisolamento, embora, segundo seu gabinete, ela não apresente sintomas de infecção. Na terça-feira (15), Brigitte teve resultado negativo em um teste realizado antes de visitar a ala pediátrica de um hospital em Paris O primeiro-ministro da França, Jean Castex, 55, também ficará isolado por sete dias depois de ter estado em contato direto com Macron nesta semana. O premiê não apresenta sintomas e também foi submetido a um teste de diagnóstico cujo resultado deu negativo. Segundo o jornal Lé Monde, outras lideranças políticas francesas, que estiveram com Macron em um almoço na terça-feira e em um jantar no Palácio do Eliseu na noite desta quarta (16), também cancelaram compromissos e aderiram ao autoisolamento.