Inflação do aluguel desacelera para 0,66% em agosto, mas segue acima de 30% em 12 meses

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 12.03.2021 - Prédios entre avenida Berrini e marginal Pinheiros, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress).
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 12.03.2021 - Prédios entre avenida Berrini e marginal Pinheiros, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress).

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Conhecido como a inflação do aluguel, o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) desacelerou para 0,66% em agosto. Com o resultado, o indicador também perdeu fôlego em 12 meses, mas o acumulado ainda registrou forte variação, de 31,12%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (30) pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Em julho, o índice havia avançado 0,78%. O acumulado em 12 meses era maior na ocasião, de 33,83%.

O IGP-M é frequentemente usado como referência para reajustes de contratos de locação de imóveis. Por isso, é chamado de inflação do aluguel. ​

Com a disparada ao longo da pandemia, o indicador se descolou da inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Em 12 meses até julho, período com dados mais recentes, o IPCA subiu 8,99% —mesmo menor, a variação também assusta analistas e consumidores.

A escalada do IGP-M vem provocando uma série de debates sobre o uso do índice como indexador para os contratos de locação, já que a maior parte de sua composição vem de preços de matérias-primas agrícolas e industriais.

A legislação sobre o assunto diz que os contratos devem prever um índice de correção que será utilizado anualmente. Contudo, não há obrigação de escolha pelo IGP-M.

O indicador busca medir os preços ao longo de diferentes setores da cadeia produtiva —de matérias-primas, passando pela construção, até serviços e bens finais.

Para isso, a variação do IGP-M é composta por três indicadores: IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).

O IPA, que capta o movimento de preços de matérias-primas agrícolas e industriais, é aquele com o maior peso. Responde por 60% do IGP-M. Ou seja, o aumento de commodities pode gerar reflexo nos valores de aluguel de imóveis.

O IPC, por sua vez, representa 30% do IGP-M. O INCC é o responsável pelos outros 10%.

Em 12 meses, o IPA tem a maior variação: 39,97%. A disparada reflete, em parte, a alta do dólar e das commodities no mercado internacional. Entre julho e agosto, o IPA desacelerou de 0,71% para 0,66%.

O IPC também perdeu fôlego na passagem mensal, de 0,83% para 0,75%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 8,60%.

Já o INCC desacelerou de 1,24%, em julho, para 0,56%, em agosto. No acumulado, a variação é de 17,05%.

O economista André Braz, coordenador de índices de preços do FGV Ibre, afirma que, sem os impactos da crise hídrica, o IGP-M teria registrado uma perda de fôlego maior neste mês.

É que a escassez de chuva forçou o uso de usinas térmicas, o que encarece os custos de geração de energia elétrica. O reflexo é a conta de luz mais cara para os consumidores. A seca prolongada também provocou perdas em lavouras, pressionando valores de alimentos.

“Se não fosse a crise hídrica, o IGP-M apresentaria desaceleração mais forte. No IPA, culturas afetadas pela estiagem, como milho [-4,58% para 10,97%] e café [0,04% para 20,98%] registraram forte avanço em seus preços. No âmbito do consumidor, o preço da energia, para a qual é esperado novo reajuste em setembro, registrou alta de 3,26%, sendo a principal influência para a inflação ao consumidor”, afirma o pesquisador.

O IGP-M de agosto terá efeito nos contratos de locação com vencimento em setembro. Se os proprietários decidirem aplicar integralmente a variação de 31,12%, um aluguel de R$ 2.000 passará para R$ 2.622,40, por exemplo.

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