Inflação do aluguel tem maior alta em 25 anos

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*arquivo* São Paulol, SP , BRASIL- 26-08-2015: Vista do bairro de Perdizes, zona Oeste de São Paulo. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
*arquivo* São Paulol, SP , BRASIL- 26-08-2015: Vista do bairro de Perdizes, zona Oeste de São Paulo. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), conhecido como inflação do aluguel, subiu 4,10% em maio e acumulou alta de 37,04% no período de 12 meses, informou nesta sexta-feira (28) a FGV (Fundação Getulio Vargas).

A variação mensal de 4,10% é a maior observada desde novembro de 2002. Considerando a taxa acumulada em um ano, é a maior desde junho de 1995. Em abril, o IGP-M havia desacelarado graças a uma redução dos preços de combustíveis.

O resultado ficou ligeiramente acima da variação mensal de 4% e dos 36,91% no acumulado em 12 meses projetados por analistas ouvidos pela Bloomberg.

A variação do IGP-M de maio terá efeito sobre os contratos de locação com vencimento em junho. Caso os proprietários decidam aplicar integralmente o reajuste, um aluguel que hoje está em R$ 2.000 passará a custar R$ 2.740,8 no pagamento do mês de julho.

O IGP-M é conhecido também com a inflação do aluguel, pois é o índice mais usado nos contratos de locação - Adriano Vizoni-26.jun.20/Folhapress

Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), os preços de commodities negociadas em dólar voltaram a pressionar a inflação ao produtor, um dos três componentes do IGP-M. Para chegar ao índice, a FGV faz uma média das variações de preços ao consumidores, aos produtores e à construção civil.

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) avançou 5,23% em maio. A maior influência veio do ciclo de aumentos do minério de ferro. De um recuo de 1,23%, em abril, ele subiu 20,64% neste mês.

Também pesaram no índice a cana de açúcar (18,65%) e o milho (10,48%). André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV, diz que esses produtos, juntos, responderam por 62,9% da variação do IPA em maio.

Essas commodities integram o grupo de matérias-primas brutas, um dos integrantes da inflação do atacado. Em abril, elas tiveram alta de 1,28%. Neste mês, o salto foi de 10,15%.

O IPA corresponde a 60% da composição do IGP-M. Em 12 meses, ele acumula variação de 50,21%, a maior desde junho de 1995, quando variou 62,79%.

No IPC (Índice de Preços ao Consumidor), cinco das oito classes de despesas tiveram variação positiva em maio. A maior influência veio dos gastos com habitação, devido à alta da tarifa de energia elétrica. De um avanço de 0,06% em abril, a conta de luz saltou 4,38% em maio, na participação nos orçamentos familiares.

O outro componente do IGP-M, o INCC (Índice Naional de Custo da Construçao Civil) registrou alta de 1,80%. Todos os três componentes do índice, que são materiais e equipamentos, serviços e mão de obras tiveram variação positiva em maio.

Segundo a FGV, a alta acumulada entre materiais, equipamentos e serviços é de 27,02%. Em maio, as principais pressões sobre a inflação da construção vêm de tubos e conexões de ferro e aço –variação mensal de 9,40%– e de PVC, com alta de 5,37%.

O setor da construção civil tem cobrado do governo federal medidas para amenizar o impacto de sucessivas altas de preços de produtos feitos em aço.

A Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) pediu ao Ministério da Economia e à Camex (Câmara de Comércio Exterior) a redução temporária do imposto de importação na expectativa de criar um "choque de oferta" que reduza os preços.

A Aço Brasil, entidade que representa as siderúrgicas, diz que não discute preços, mas defende que as matérias-primas usadas na produção de produtos em aço também acumula alta. Em 12 meses, o minério-ferro mais que dobrou e a cotação em dólar bateu recorde, chegando a US$ 237.

A pressão das commodities sobre o resultado do IGP-M tem esquentado uma discussão sobre a substituição do índice como padrão nos contratos de locação. A própria FGV está estudando uma novo indicador de referência para o setor imobiliário, que considere mais as variáveis do mercado.

Empresas como Quinto Andar e Lello deixaram de usar o IGP-M como o padrão dos contratos. Os proprietários de imóveis ainda podem optar por ele, mas o padrão adotado foi o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), a inflação oficial calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A disparada do IGP-M também resultou na judicialização de contratos de locação. Lojistas de shoppings e aeroportos foram à Justiça para evitar a aplicação integral do índice na correção dos contratos.

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