Inflação desacelera em junho, mas chega a 8,35% em 12 meses, acima do teto da meta

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A inflação desacelerou em junho e subiu 0,53% em relação a maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitca (IBGE) nesta quinta-feira (dia 8). É a maior alta para o mês desde 2018, puxada por energia elétrica.

A desaceleração tem relação com uma pressão menor nos preços do atacado, que começa a dar sinais de moderação por conta da queda dos preços das commodities agrícolas, somada à recente desvalorização do dólar, segundo analistas.

Em 12 meses, porém, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registra alta de 8,35%. Com o resultado, o indicador permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano. A meta de inflação do Banco Central para 2021 é de 3,75%, podendo variar entre 2,2% e 5,25%.

Analistas ouvidos pela Reuters projetavam altas de 0,59% para o mês e 8,40% em 12 meses.

Dos nove grupos pesquisados, oito tiveram alta em junho. O maior impacto veio do grupo Habitação, que avançou 1,1%, principalmente, por causa da energia elétrica.

Embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior (5,37%), a conta de luz teve o maior impacto individual no índice do mês.

— A energia continuou subindo muito por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a vigorar em junho — explica o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

Em junho, a bandeira vermelha representou a cobrança extra de R$ 6,243 por cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em julho, essa taxa aumentou para R$ 9,49 e poderá ter novo reajuste em agosto, devido à crise hídrica.

Por isso, apesar de a inflação apontar uma desaceleração tanto em relação ao IPCA-15, prévia da inflação em junho (0,83%), quanto em relação ao IPCA de maio (0,83%), a expectativa dos analistas é que os preços administrados — principalmente, de energia elétrica e combustíveis — pressionem o orçamento das famílias nos próximos meses.

O recente reajuste da Petrobras, que elevou os preços de gasolina, diesel, gás de botijão e gás canalizado, além do reajuste de 52% da bandeira tarifária de energia pela Aneel, devem refletir na inflação entre os meses de julho e agosto, quando os repasses começam a chegar ao consumidor.

O resultado dessa alta dos preços sobre o IPCA é um avanço do indicador em 12 meses, o que tem feito o Banco Central (BC) subir a Selic, taxa de juros básica da economia, hoje em 4,25% ao ano.

Como o efeito de uma alteração na Selic leva de seis a nove meses para chegar à economia real, analistas avaliam que a inflação em 2021 ficará acima do teto da meta, mas ainda acreditam que a inflação voltará aos trilhos em 2022.

Segundo último Boletim Focus divulgado na segunda-feira, a previsão de analistas do mercado para a inflação de 2021 subiu de 5,97% para 6,07%. Já a expectativa sobre a inflação de 2022 passou de 3,78% para 3,77%. A meta de inflação do ano que vem está fixada em 3,5%.

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