Inflação fecha 2022 em 5,79%, aponta IBGE

O IPCA, índice usado nas metas de inflação do governo, subiu 0,62% em dezembro e ficou em 5,79% em 2022, informou nesta terça-feira o IBGE. Foi o segundo ano consecutivo de estouro da meta de inflação. A meta era de 3,5%, com intervalo de tolerância até 4,75%.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, terá que escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando o descumprimento da meta.

O INPC, que reajusta o teto do INSS, pensões e aposentadorias acima do mínimo, além do valor do seguro-desemprego, subiu 5,93%.

Em dezembro, a inflação subiu 0,62% em dezembro, acima da taxa de 0,41%. No ano, o que mais pressionou o IPCA foi a alta de alimentos.

Aperto: Poupança tem saques recordes de R$ 103,2 bi em 2022

Salário mínimo: Entenda o que dificulta o reajuste do piso para R$ 1.320

O que pressionou a inflação

O grupo de alimentos e bebidas foi responsável pelo maior impacto na inflação de 2022, com alta de 11,64%. Em seguida aparece o setor de saúde e cuidados pessoais, com 11,43%. A alimentação no domicílio subiu 13,23%. Veja as principais altas neste grupo:

Cebola: 130%

Leite longa vida: 26%

Bata-inglesa: 51,92%

Frutas: 24%

Pão francês: 18,03%

O grupo Vestuário, por sua vez, registrou a maior alta desde o Plano Real: subiu 18% em um ano. Segundo o IBGE, custos de produção subiram e houve uma retomada da demanda após a flexibilização das medidas de isolamento social decorrentes da pandemia.

Segundo ano seguido de estouro da meta

A inflação oficial do país encerrou 2022 acima da meta estabelecida pelo Banco Central (3,50%) que contava com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (ponto percentual) para cima ou para baixo, ou seja de 2% a 5%. É o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação.

O que segurou a inflação

Os preços da energia elétrica residencial caíram 19% no ano, enquanto a gasolina caiu 25,78%. Isso porque o governo de Jair Bolsonaro (PL), em meados do ano passado, zerou os tributos federais sobre combustíveis para forçar uma queda nos preços durante o período eleitoral. Essa isenção acabaria em 31 de dezembro de 2022, mas foi prorrogada temporariamente pelo governo Lula (PT).

Colégio mais caro: Mensalidade escolar vai subir até 12% em 2023, mais que o dobro da inflação

Além disso, foi sancionado um projeto de lei que limitava o ICMS (imposto estadual) sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, o que ajuda a expliar a queda na conta de luz.

Perspectivas

Para 2023, a expectativa de analistas é que a pressão inflacionária venha de preços administrados, como energia e combustíveis, com a volta dos impostos sobre esses itens. E o país caminha para registrar o terceiro estouro consecutivo: o IPCA deve fechar próximo a 5,36%, segundo mediana das projeções do Boletim Focus, do BC.

Álvaro Gribel: A inflação de Bolsonaro que Lula herdará em 2023

A perspectiva de inflação no mesmo patamar do ano passado joga pressão sobre o Banco Central, que deverá ter que manter juros elevados. A autoridade monetária já projeta um risco de estouro da meta da inflação de 2023 em 57%.

O que dizem os analistas?

Na avaliação do Credit Suisse, a deterioração das expectativas de inflação para 2024 e 2025 pode, no limite, "levar a um questionamento da credibilidade do regime de metas de inflação ou ao debate em torno do nível adequado da meta de inflação para os próximos anos".

A meta de inflação para 2026 será decidida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.