Inflação fecha 2022 em 5,79%, aponta IBGE. Índice refere-se ao IPCA acumulado em 12 meses

Pressionada pelas altas de alimentos e serviços, a inflação oficial do país fechou o ano de 2022 em 5,79%, quase metade do indicador de 2021 (10,06%). Ainda assim, é o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação. Os números fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cujos dados referentes a dezembro foram divulgados nesta terça-feira pelo IBGE.

Na variação mensal, a inflação subiu 0,62% em dezembro, acima da taxa de 0,41% registrada em novembro.

A inflação oficial do país encerrou 2022 acima da meta estabelecida pelo Banco Central (3,50%) que contava com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para cima ou para baixo, ou seja de 2% a 5%. É o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação.

Se no ano de 2021 dois dos principais vilões foram energia elétrica e combustíveis - por conta da alta do dólar, demanda global por petróleo e crise hídrica -, estes itens estão entre os que mais deixaram de pressionar o índice de preços ao longo de 2022.

Isso porque o governo de Jair Bolsonaro (PL), em meados do ano passado, interviu na tributação sobre combustíveis e energia elétrica na tentativa de conter a inflação. Bolsonaro zerou os impostos federais (PIS/Cofins e Cide) sobre combustíveis por conta da disparada do preço e de olho na campanha eleitoral. A medida, que perdia validade no último dia do ano, foi prorrogada temporariamente pelo governo Lula (PT).

Além disso, foi sancionado um projeto de lei que limitava o ICMS (imposto estadual) sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.

Para 2023, a expectativa de analistas econômicos é que a pressão inflacionária venha de preços administrados, como energia e combustíveis, com a volta dos impostos sobre esses itens. E o país caminha para registrar o terceiro estouro consecutivo: o IPCA deve fechar próximo a 5,36%, segundo mediana das projeções do Boletim Focus, do BC.

A perspectiva de inflação no mesmo patamar do ano passado joga pressão sobre o Banco Central, que deverá ter que manter juros elevados para não perder de vista a meta de 2024 (3%) e correr o risco de promover o que os economistas chamam de "desancoragem das expectativas". A autoridade monetária já projeta um risco de estouro da meta da inflação de 2023 em 57%.

Na avaliação do Credit Suisse, a deterioração das expectativas de inflação para 2024 e 2025 pode, no limite, "levar a um questionamento da credibilidade do regime de metas de inflação ou ao debate em torno do nível adequado da meta de inflação para os próximos anos".

A meta de inflação para 2026 será decidida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.