Gasolina tem o maior impacto na inflação em janeiro

Carolina Nalin
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RIO — A inflação subiu 0,25% em janeiro e perdeu fôlego em relação ao mês de dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira. O recuo é resultado da adoção da bandeira amarela na tarifa de energia elétrica e menor pressão dos alimentos, aliviando o aumento dos combustíveis que puxou a alta do índice.

— Houve uma queda de 5,60% no item energia elétrica, que foi, individualmente, o maior impacto negativo no índice do mês (-0,26 p.p.) Após a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em dezembro, passou a vigorar em janeiro a bandeira amarela. Assim, em vez do acréscimo de R$ 6,243 por cada 100 quilowatts-hora, o consumidor passou a pagar um adicional bem menor, de R$ 1,343. O que resultou em uma deflação (-1,07%) no grupo Habitação, do qual esse item faz parte, mesmo com a alta em outros componentes, como o gás encanado (0,22%) e a taxa de água e esgoto (0,19%)”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Em dezembro, o IPCA acelerou para 1,35%, a maior alta para um mês de dezembro desde 2002, quando chegou a 2,10%. Em 12 meses, o IPCA registra aumento de 4,56%. Com o resultado, a inflação está acima do centro da meta de inflação do governo para este ano, que é de 3,75%.

O resultado veio abaixo da expectiva do mercado. Segundo Reuters era que a inflação subisse 0,31% no mês. De acordo com o último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, a previsão do mercado para o IPCA deste ano subiu de 3,53% para 3,60%.

Inflação dos mais pobres desacelera

O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação entre as famílias com menor rendimento. Ele também desacelerou apresentando alta de 0,27% em janeiro, enquanto em dezembro havia registrado 1,46%.

O resultado tem relação com a menor pressão dos alimentos, que costumam puxar o índice por ter mais peso para as famílias de menor renda. Os produtos alimentícios subiram 1,01% em janeiro enquanto, no mês anterior, registraram 1,86%. Já os não alimentícios apresentaram alta de 0,03%, após alta de 1,33% em dezembro.

O INPC é calculado com base em famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos.