Inflação sobe bem acima do previsto em fevereiro e vai a 5,20% em 12 meses, perto do teto da meta

Carolina Nalin
·3 minuto de leitura

A inflação subiu 0,86% em fevereiro e acelerou em relação ao mês de janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira. Esse é o maior resultado para um mês de fevereiro desde 2016, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,90%. A expansão é resultado do aumento do preço dos combustíveis.

A expectiva dos especialistas ouvidos pela Reuters era que a inflação chegasse a 0,72% em fevereiro. Em 12 meses, o IPCA registra aumento de 5,20%, se aproximando assim do teto da meta de inflação estabelecida para este ano, que é de 5,25%. No ano, o IPCA acumula alta de 1,11%.

De acordo com o IBGE, a gasolina, que registra alta de 7,11%, foi o item que mais impactou o índice no mês, com participação de 42% no resultado final.

— Temos tido aumentos no preço da gasolina, que são dados nas refinarias, mas uma parte deles acaba sendo repassada ao consumidor final. No início de fevereiro, por exemplo, tivemos um aumento de 8%, e depois de mais de 10%. Esses aumentos subsequentes no preço do combustível explicam essa alta — diz o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Os preços do etanol (8,06%), do óleo diesel (5,40%) e do gás veicular (0,69%) também subiram em fevereiro. Com o resultado, os combustíveis acumulam alta de 28,44% nos últimos nove meses.

De acordo com o último Boletim Focus, divulgado na quarta-feira pelo Banco Central, a previsão do mercado financeiro para o IPCA deste ano subiu de 3,87% para 3,98%.

O cálculo para o ano está acima do centro da meta da inflação de 3,75% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que deve ser perseguida pelo BC a partir da redução ou elevação da taxa de juros. Para 2022, a estimativa de inflação é de 3,50%. Tanto para 2023 como para 2024 as previsões são de 3,25%.

Nos últimos meses, o preço dos combustíveis e dos alimentos já vinha pressionando a inflação. A desvalorização cambial e o preço das commodities ainda em alta também pressionam para a elevação do índice.

Em relatório publicado na quarta-feira, a XP Investimentos informou ter revisado a projeção para IPCA de 2021, de 3,9% para 4,9%. "A nova trajetória do câmbio é um choque adicional para a inflação deste ano. Essa que já está pressionada pela contínua alta de alguns alimentos e combustíveis no mundo – traduzido em IGPs ainda elevados – e pelo desequilíbrio entre oferta e demanda doméstica no setor de bens duráveis, que não vem se ajustando no ritmo esperado", disse a corretora.

O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação entre as famílias com menor rendimento. O índice também acelerou, apresentando alta de 0,82% em fevereiro, bem acima da taxa de janeiro, quando havia registrado 0,27%.

Esse é o maior resultado para um mês de fevereiro desde 2016, quando o índice foi de 0,95%. Os produtos alimentícios subiram 0,17% em fevereiro, indicando uma desaceleração frente a alta de 1,01% registrada no mês anterior. Os produtos não alimentícios, porém, tiveram alta de 1,03%, após variarem 0,03% em janeiro.

No ano, o INPC acumula alta de 1,09% e, nos últimos 12 meses, de 6,22%, acima dos 5,53% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O INPC é calculado com base em famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos.

Além de elevarem a estimativa para o IPCA anual, os analistas das instituições financeiras passaram a prever o início do processo de alta da taxa de juro básica, a Selic, já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem.