Inflação tem maior alta em 25 anos em maio e chega a 8,06% em 12 meses, acima do teto da meta

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A inflação acelerou em maio e subiu 0,83% em relação a abril, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (dia 9). É a maior alta para o mês em 25 anos. O avanço é resultado, principalmente, do aumento na conta de luz, em razão do acionamento da bandeira vermelha, e da alta nos preços de combustíveis.

Em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registra alta de 8,06% e, com o resultado, permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano. A meta de inflação do Banco Central para este ano é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Analistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,71% para o mês e 7,93% em 12 meses. Em abril, o IPCA avançou 0,31%.

Todos os nove grupos pesquisados apresentaram alta em maio. O maior impacto e variação veio do grupo Habitação, que passou de 0,22% em abril para 1,78% em maio. O avanço tem relação com o aumento da tarifa de energia elétrica e a alta na taxa de água e esgoto. Os preços do gás de botijão e do gás encanado também subiram.

Os preços do grupo Transportes, que chegou a recuar 0,08% em abril, subiu 1,15%. A gasolina, cujos preços chegaram a recuar em abril, voltaram a subir em maio. No ano, o combustível acumula alta de 24,70% e, em 12 meses, de 45,80%.

Os preços do gás veicular, do etanol e do óleo diesel também subiram em maio, com altas de 23,75% e 4,61%, respectivamente.

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, explica que o aumento dos preços tem relação com o choque de custos e não com a demanda:

— Esse resultado tem muito a ver com os (preços) monitorados, principalmente energia elétrica e gasolina. Estamos num cenário em que apesar de termos uma certa recuperação econômica como vimos na última divulgação do PIB, temos o desemprego alto e renda comprimida.

O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação percebida por famílias com renda entre um e cinco salários mínimos mensais. O indicador chegou a 0,98%, superando o avanço de 0,83% no IPCA.

Essa é a maior variação para um mês de maio desde 2016, quando o índice foi de 0,98%. No ano, o indicador acumula alta de 3,33% e, em 12 meses, de 8,90%.

A expectativa dos analistas é que os preços administrados continuem a pressionar o bolso do consumidor nos próximos meses. Isso porque a crise hídrica, que tem levado à baixa no nível do reservatórios de hidrelétricas, fez a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionar o segundo nível de bandeira vermelha.

O patamar 2 entra em vigor em junho, com cobrança adicional de R$ 6,243 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Desde maio, a conta de luz já está mais cara devido ao patamar 1 da bandeira vemelha.

Assim, é esperado que a inflação avance em junho diante da mudança na tarifa de energia. Além disso, o choque ocasionado pelo preço elevado das commodities tem custado a se dissipar.

O resultado dessa alta dos preços sobre o IPCA é um avanço do indicador em 12 meses, o que tem aumentado a pressão sobre o Banco Central para subir a Selic, taxa de juros básica da economia.

Como o efeito de uma alteração na Selic leva de seis a nove meses para chegar à economia real, analistas avaliam que a inflação em 2021 ficará acima do teto da meta, mas ainda acreditam que a inflação voltará aos trilhos em 2022.

Segundo último Boletim Focus divulgado na segunda-feira, a previsão de analistas do mercado para a inflação de 2021 subiu de 5,31% para 5,44%. Já a expectativa sobre a inflação de 2022 chegou a 3,70%. A meta de inflação do ano que vem está fixada em 3,5%.