Inflação vai a 488.865% na Venezuela, diz relatório da oposição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O índice anual de inflação na Venezuela atingiu 488.865% em setembro em relação ao mesmo mês de 2017, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (8) pela Assembleia Nacional (oposicionista).

O FMI (Fundo Monetário Internacional) havia previsto que o índice poderia passar de 1.000.000% neste ano. A inflação diária está em 4%, enquanto a mensal subiu de 223% em agosto para 233% em setembro, diz o relatório.

Para comparação, a inflação de 2018 no Brasil deve fechar o ano em 4,4% de acordo com o Banco Central --patamar semelhante à alta diária na Venezuela.

Parlamentares da oposição se tornaram a única fonte confiável de indicadores econômicos depois que o Banco Central venezuelano deixou de publicar dados há cerca de três anos.

"Tudo indica que esse número continuará aumentando no mês que vem. Nosso conselho ao venezuelano é que utilize o dinheiro que tem, que não o deixe no banco para que perca seu valor", afirmou Juan Andrés Mejía, deputado da Assembleia Nacional.

Em um esforço para estabilizar os preços, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou várias medidas em agosto, que, segundo os novos dados da oposição, não geraram o efeito esperado.

Na ocasião, o governo anunciou desvalorização de 96% do valor oficial da moeda, aproximando seu preço do que já era praticado no câmbio paralelo. Ela também ganhou um novo nome e passou a se chamar bolívar soberano.

O câmbio, assim como os salários, passaram a ser indexados a uma moeda virtual criada pelo regime, o petro, em uma medida criticada por economistas.

O pacote incluiu ainda um corte de cinco zeros na moeda e o aumento do salário mínimo em 3.000%. Maduro também mexeu no preço da gasolina, a mais barata do mundo, flexibilizou o câmbio e chegou a prender gerentes de supermercados.

Os problemas econômicos desencadearam uma crise no país, que sofre com um desabastecimento generalizado que atinge alimentos e medicamentos.

Isso levou à emigração de quase 2 milhões de pessoas, a maior parte para nações da região, como Colômbia, Equador e Peru --o Brasil recebeu cerca de 120 mil pessoas, sendo que metade segue no país, segundo o governo federal.

Maduro afirma que os problemas são causados pelas sanções dos EUA.