Influenciadora compartilha foto de filho de 3 anos beijando outra criança e gera polêmica: 'pintou um clima'

Uma foto compartilhada pela influenciadora portuguesa Sofia Arruda causou polêmica nas redes sociais, na tarde desta quarta-feira. Na imagem, o filho de apenas 3 anos aparece dando um beijo na boca de outra criança.

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Na legenda da foto, a mãe do menino classifica o momento como "primeiro beijinho na boca" e diz que "pintou um clima" sob a alegação de que conhecia os pais da menina e que estava "tudo certo".

"O primeiro beijinho na boca. Não sei se será amor de verão ou da vida toda, mas que pintou um clima pintou. Atenção: conhecemos os pais da menina e está tudo certo", declarou ela.

A imagem foi compartilhada em outros perfis e dividiu opiniões na web. Segundo Evelyn Eisenstein, uma das autoras do Manual “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), não se devem incentivar esses tipos de situações, em que se expõe a criança nas redes.

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— Criança não namora. Não existe isso. Isso é cabeça do adulto. Isso em si é uma violência misturar a sexualidade do adulto com a sexualidade de crianças. Criança abraça sim, brinca junto sim, mas expor uma criança é um dano, que eu chamo de violência psicológica. É o que a gente chama de erotização precoce das mídias — ressalta Evelyn.

A psicóloga Lidiane Silva afirma que houve uma piora da sexualização das crianças e que a exposição perdeu a caracterização da inocência, e com isso, houve impactos negativos no desenvolvimento social dos menores.

— A sexualização pode ser o caminho para a erotização. Todo ser humano tem o seu tempo para desenvolver, e cabe aos pais ter bom senso e compreender sobre as novas nuances educacionais e emocionais deste momento em que vivenciamos — pontua.

Segundo Lidiane, o estímulo de tais atitudes cria um padrão de comportamento "que pode beijar quando quiser, abraçar quando quiser, porque ainda não tem o senso de certo e errado estabelecido" .

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— Criança está em desenvolvimento cognitivo, emocional e fisiológico. A criança precisa receber dos pais informações educacionais que moldam seu comportamento e senso crítico. Os pais precisam ser os primeiros a não estimular ao contato físico tão precoce, a criança pode achar tão natural, que pode ser exposto ao assédio sexual e achar comum. Precisamos levar em consideração que, cada caso é um caso, porém, é fundamental compreender que estímulos precoces podem prejudicar o senso moral e ético da criança que vem sendo desenvolvido e internalizado, além de poder desenvolver insegurança e ansiedade precoce — explica a psicóloga.

A imagem já foi apagada do perfil da influencer, que tem cerca de 575 mil seguidores. Nos stories, Sofia comentou que a remoção do post aconteceu para não gerar polêmica nem "alimentar fofocas". "Se a internet está doente eu não compactuo com isso", rebateu a influenciadora.

Alerta sobre a exposição de crianças nas redes

Evelyn Eisenstein, que também é pediatra e clínica de adolescentes, ainda faz um alerta aos pais sobre expor as crianças em uma situação onde ela está em vulnerabilidade:

— Redes sociais e digitais não devem expor momentos de "intimidade" de crianças (como, por exemplo, criança nua tomando banho ou no chuveiro ou com partes do corpo sem roupas). É necessário ter cuidados na exposição de nomes ou locais que possam identificar a criança ou o local onde mora, estuda ou vizinhança onde vive — pontua a especialista, que acrescenta que existem regras de segurança e privacidade sobre os menores.

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